A seguir, alguns trechos da entrevista de David Barioni, vice-presidente técnico (e ex-comandante Vasp por 20 anos), da Gol Linhas Aéreas ao jornal Estado de Minas:
"Na realidade, não temos só cinco anos, pois nosso grupo opera no setor de transportes há 54 anos. Nossos pilotos, mecânicos e funcionários em geral têm grande experiência. Muitos deles foram recrutados nas antigas Vasp e TransBrasil, e agora, na Varig".
Perguntado se a Gol quer ficar com parte da frota da Varig com financiamento do BNDES, responde:
"Não fomos contatados sobre isso e não manifestamos interesse. Pretendemos acrescentar à nossa frota de 45 jatos da linha 737-700 da Boeing, que são os mais modernos e econômicos da aviação mundial nas rotas médias, outros quatro aviões até o fim de junho. Vamos aos poucos substituir a frota arrendada por aviões próprios. Confirmamos a encomenda de 67 jatos 737-800, ainda mais econômicos à Boeing pelo valor de R$ 10,1 bilhões, e vamos recebê-los a partir do segundo semestre de 2012. Só este ano, devemos receber 11 desses jatos. Ainda esperamos confirmar a compra de mais 34 à fábrica norte-americana. Esses aviões têm custos operacionais imbatíveis nas rotas próximas de uma hora e poucos minutos. Voam 14 horas por dia, com intervalos no solo de 25 minutos."
"A Gol acredita que tem campo para expandir seus quase 500 vôos diários no Brasil e países vizinhos da América Latina. Consideramos, principalmente, que somente 7 milhões de brasileiros usam a aviação, comprando 35 milhões de passagens por ano. Se conquistarmos 3 ou 4 milhões dos 150 milhões de passageiros dos ônibus teremos condições de crescer mais ainda."
Perguntado se a empresa vai iniciar vôos para os EUA e Europa, aproveitando-se das desistências de rotas pela Varig, responde:
"Mesmo com a compra dos jatos 737-800 da Boeing, pretendemos manter a prioridade de consolidar as linhas para todos os estados brasileiros, conquistada com o vôo para Santarém, no Pará, e com conexões das regiões Sul e Sudeste para Salvador, Recife, Fortaleza, São Luís, Belém e Manaus. Vamos iniciar 21 vôos semanais para Santiago do Chile e manter as linhas para a Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Não temos planos imediatos para assumir as desistências de rotas internacionais que ocorrem no momento. Mesmo considerando que 52% de nossos passageiros viajam sem bagagens, ainda não temos planos para conceder descontos nesses casos, a exemplo de empresa holandesa."
"Já oferecemos as mais baixas tarifas possíveis. Por isso, não vamos criar o programa de milhagem. A cada quatro passagens compradas na Gol, a pessoa acaba "ganhando" uma. Cerca de 60% dos nossos passageiros são executivos que voam preferencialmente no início da manhã e no fim do dia. Turistas e visitantes a parentes formam o restante da clientela."
"Com as ligações entre os aeroportos de Santos Dumont, no Rio e Congonhas, em São Paulo, recentemente conquistadas pela Gol, vamos elevar nossos resultados financeiros, pois essa ponte aérea oferece a maior taxa de retorno financeiro do país."
"Nossa empresa encerrou o primeiro trimestre com o lucro líquido recorde de R$ 179,8 milhões. Nosso lucro operacional cresceu 26,3% em relação a igual período do ano passado e atingiu R$ 223,8 milhões. Em 2005, a empresa teve lucro de R$ 424 milhões."
"Em dois hangares de 5 mil m2 e de 2 mil m2, mais o prédio das administração, que totalizam 17 mil m2 de área, poderemos realizar manutenção em até cinco jatos por dia, dependendo da extensão dos consertos. O centro de manutenção, que será inaugurado em julho, representa investimento de R$ 30 milhões e vai criar 250 empregos. Vale lembrar que a aviação brasileira é considerada uma das três mais seguras, ao lado dos EUA e Canadá. Mesmo o aeroporto de Congonhas é seguro, se os pilotos seguirem as instruções específicas que ele requer para pousos e decolagens".
Fonte: EM
Maurício.
GOL - Entrevista do vice-presidente
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