Varig desvia avião para Porto Alegre e evita arresto de turbina
MAELI PRADO
da Folha de S.Paulo
A empresa G.A. Telesis Turbine, que na semana retrasada obteve na Justiça o direito de retomar uma turbina arrendada à Varig, não conseguiu cumprir a decisão judicial ontem no aeroporto de Congonhas. Isso porque a companhia aérea enviou para Porto Alegre (RS) o avião em que está a turbina e que deveria aterrissar em São Paulo na tarde de ontem.
O vôo em questão, o 2803, que partiu do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, chegou às 16h40 em Congonhas, com cerca de duas horas de atraso. Mas o avião que trazia os passageiros era outro, o de prefixo PP-VOY --o prefixo daquele que estava programado para fazer o trecho e que foi para Porto Alegre é PP-VNZ.
"Ao que tudo indica, fizeram essa troca para ganhar tempo e recorrer da decisão. Ficamos sabendo depois que os dois aviões estavam estacionados juntos no Galeão. Trocaram os passageiros e os destinos", disse Luiz Felipe Butori, advogado do escritório César e Pascual Advogados Associados, que representa a G.A.
Segundo outro advogado da empresa, Luis Carlos Pascual, o arrendador contratou uma equipe de três mecânicos para retirar a turbina da aeronave. O representante legal da empresa de leasing, Sérgio Romariz, estava no local para acompanhar a retomada.
"Esperamos o avião acompanhados da Infraero [estatal que administra os principais aeroportos] e da Polícia Federal. Começou a haver atraso desse vôo. Atrasou uma hora, duas horas, e enfim o avião pousou, mas era outro. A Infraero não foi informada sobre essa troca de aviões", afirmou Pascual.
A Infraero confirmou que o avião que deveria pousar em SP foi para Porto Alegre, mas informou que não precisa ser avisada em situações como essa. A competência, segundo a estatal, é da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). De acordo com a assessoria de imprensa da agência, não foi possível localizar ontem o responsável pela gerência regional que engloba o aeroporto de Congonhas para comentar o caso.
A G.A. pedirá na Justiça do Rio que a ordem de retomada seja estendida a todos os aeroportos do país e que esse avião, que carrega a turbina, não possa decolar de nenhum aeroporto. A sentença foi assinada na semana retrasada pelo juiz Luiz Fernando de Andrade Pinto, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Prioridade
Procurada pela Folha, a Varig confirmou que o avião de prefixo PP-VNZ deveria fazer o trecho Belo Horizonte/Rio/São Paulo e que no aeroporto do Galeão foi direcionado para Porto Alegre. Afirmou, entretanto, que o vôo que tinha como destino Porto Alegre era prioritário, já que havia 98 passageiros que precisavam embarcar nele e que este estava atrasado. Disse que foi uma decisão técnica, tomada em função da reestruturação de malha que está sendo realizada. A companhia negou que tenha sido notificada da decisão judicial favorável à G.A.
"A Varig informa que nenhuma turbina de sua frota de aeronaves foi arrestada hoje [ontem], 2 de maio. Sobre uma possível decisão da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que determinou que um dos motores de seus aviões fosse devolvido à empresa americana G.A. Telesis, a Varig não foi notificada. A diretoria jurídica da companhia tomará, se for necessário, todas as medidas cabíveis", diz nota. A Varig informou que o avião PP-VNZ permanecerá em Porto Alegre para uma manutenção que já estava programada.
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