Sem-terra invadem prédio de prefeitura no Paraná
Curitiba, 11 - Cerca de 150 integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiram ontem pela manhã o prédio da prefeitura de General Carneiro, a 280 quilômetros de Curitiba, no sul do Paraná. Temendo a ampliação da invasão, o prefeito Joarez Martins Ferreira (PPS) determinou a paralisação de todas as atividades públicas. A prefeitura entrou com pedido de reintegração de posse, mas os sem-terra disseram que só saem se tiverem atendidas suas reivindicações - entre elas, a revogação pelo prefeito de um decreto de 2004 que desapropria uma área de cerca de 30 hectares da Fazenda Zattar, invadida por 170 famílias em 2003.
Na área, onde há um aeroporto, os sem-terra querem montar um centro comunitário. Eles pedem também a recuperação de estradas que dão acesso ao acampamento, transporte de cestas básicas, médico da família no acampamento, atendimento nos postos de saúde e material de construção para duas escolas. "Nós vamos resistir. Ficaremos até sermos atendidos", disse um dos líderes do movimento no local, Eron Brum.
A invasão aconteceu por volta das 9 horas, quando o prefeito ainda não tinha chegado. Não houve conflito. Alguns funcionários permaneceram inicialmente no local, mas saíram após a decisão do prefeito de suspender as atividades. Os sem-terra montaram uma cozinha dentro do prédio, para onde foram levados também alguns colchões. O pátio foi tomado, e barracas foram erguidas.
Segundo o prefeito, os sem-terra não tinham nenhum motivo para invadir a prefeitura. "Já os recebi três ou quatro vezes. Era só ter feito uma comissão e vir conversar", disse. "Além disso, 80% da pauta nós já vínhamos atendendo normalmente, apesar de lá ser um acampamento."
Banco
Outro grupo, com aproximadamente 300 pessoas do Assentamento Nossa Senhora Aparecida, de Mariluz, a cerca de 550 quilômetros de Curitiba, no noroeste do Estado, acampou ontem em frente à agência do Banco do Brasil em Moreira Sales, cidade vizinha, pedindo a liberação de recursos do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf). Os sem-terra levaram colchões e utensílios e dizem que só saem quando o dinheiro for liberado.
Segundo o superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lisboa de Lacerda, o assentamento foi criado em 2002, e os sem-terra receberam um primeiro crédito para compra de comida ou ferramentas. Mas depois houve questionamento jurídico sobre o assentamento e somente em 2005 o Incra assumiu definitivamente a posse. Em dezembro chegou o segundo crédito, que seria só para produção. Entretanto, alguns compraram comida, o que não é permitido, e apresentaram notas. O dinheiro foi bloqueado. Agora eles reclamam que estão com as dívidas e não podem pagar. Lacerda disse que, excepcionalmente, deve ser dada autorização para os pagamentos, o que pode acontecer hoje. As informações são de O Estado de S.Paulo.
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- Marcelo Areias
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