Varig: deixa quebrar?

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Marcelo Areias
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Varig: deixa quebrar?

Mensagem por Marcelo Areias »

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/4 ... /index.htm

Varig: deixa quebrar?


Por Ivan Martins - Isto É Dinheiro

Uma das coisas notáveis a respeito do capitalismo é que ele funciona. Nem sempre se manifesta com clareza, nem sempre sua lógica atua com precisão matemática, mas no longo e no médio prazos, de forma quase inexorável, as leis que comandam a economia de mercado prevalecem. Um caso exemplar desse fenômeno envolve a Varig, a outrora simpática e eficiente empresa aérea que a maioria dos brasileiros aprendeu a ver como uma espécie de Petrobras dos ares. Nos últimos dias, como tem acontecido a cada par de anos, a companhia voltou a agonizar em praça pública. Na quinta-feira à noite, dia 6, a ministra Dilma Roussef, da Casa Civil, estava enfurnada no quarto andar do Palácio do Planalto discutindo o problema. O presidente Lula deu a ministra a responsabilidade de decidir o que o governo quer e pode fazer nesse episódio – e dizem que Dilma, uma administradora racional, está pessimista. Afinal, a Varig não tem dinheiro sequer para comprar combustíveis e está há sete meses atrasada no pagamento de tarifas aeroportuárias. Suas 52 aeronaves em condições de vôo decolam e aterrizam por generosidade dos credores, que incluem seus próprios funcionários, o governo e as empresas de leasing aéreo. Uma companhia de táxi nessas condições já teria parado, uma transportadora teria baixado as portas. Até mesmo uma companhia aérea de menor tradição e importância teria lacrado o hangar ou passado adiante a sua marca. Mas a Varig, contrariando a lógica do capitalismo, resiste. Ou melhor, resistiu. Agora o mercado está fechando cerco.

Quando se põe de lado a simpatia pela marca e por seus 11 mil funcionários, cujos empregos estão ameaçados, é duro entender porque o caso da Varig merece tanta atenção do executivo. A empresa detém apenas 19% das rotas nacionais e suas posições podem ser assumidas imediatamente pela concorrência. Nos últimos dias o governo e a Agência Nacional de Aviação Civil andaram tratando disso. Mais complicadas são as rotas internacionais. Nesse caso a participação da Varig é de 75% e as empresas nacionais concorrentes não têm condições de assumir imediatamente suas posições. Mesmo isso, porém, tem de ser contornável, como foi no passado. Quem está no setor aeronáutico há mais tempo lembra que a presença internacional da Varig cresceu depois do golpe militar de 1964, quando os generais resolveram acabar com a Panair por ódio político a seu proprietário, Mario Wallace Simonsen. A Varig abocanhou sofregamente as linhas da concorrente perseguida e tornou-se com os anos a grande marca brasileira no Exterior. Agora, com base nesse patrimônio intangível, a companhia aciona os seus inúmeros amigos no governo e no legislativo em busca de uma solução fora do mercado para o seu imenso problema.

Curvada sob um passivo de R$ 7 bilhões, a Varig tornou-se um caso insolúvel. Não há milagre contábil que transforme novamente em um organismo econômico auto sustentável. Nos últimos anos o mercado aéreo tornou-se intensamente competitivo e a Varig, ferida por anos de má gestão da Fundação Rubem Berta, não consegue disputar espaço carregando o peso de tudo que deve. Como sempre, há propostas indecorosas e pressões para que o governo abrace a dívida e deixe a companhia – e seus maus gestores – voando como se nada tivesse acontecido. Seria mais um caso em que o contribuinte brasileiro pagaria para que uns poucos mantivessem seus empregos e seus privilégios. Mas é difícil imaginar que a ministra Dilma e seu chefe, o presidente Lula, enveredem nessa direção. No início do governo, o problema caiu da mesma forma sobre a mesa do então ministro José Dirceu, um nacionalista com simpatias por soluções políticas para problemas de mercado. Mesmo ele, porém, não foi capaz de conciliar os interesses do Estado brasileiro com as pretensões descabidas dos gestores da Varig. Agora o bode está na sala da ministra Dilma, que tem três alternativas pela frente. A primeira é usar o dinheiro público para prolongar a agonia da Varig, adiando a perda de bons empregos mas, ao mesmo tempo, premiando administradores incompetentes. A segunda possibilidade é promover uma solução de mercado, aproveitando-se do fato de que há empresas interessadas em comprar e seguir voando com pelo menos parte da Varig. Essa solução certamente implicará em alguma forma de renúncia fiscal do governo e tem de ser analisada com muito cuidado. A terceira alternativa – simples, traumática e definitiva – é deixar quebrar. Depois de tantos anos de idas e vindas, e de tantas ilusões perdidas no caso Varig, talvez a quebra seja simplesmente a melhor solução. Ou pelo menos a única que não desafia a lógica inexorável do capitalismo.
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Marcelo Areias
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Mensagem por B767 »

Apesar da ma-gestao da RG, existem outras sintomas que mais cedo ou mais tarde vao afetar todas as cias. aereas - e isso seria o problema da agonia do sistema tributario no Brasil, e um novo modelo trabalhista de encargos sociais.

No passado foi a TR/VP e TABA(T2) - hoje temos a RG, e so falta agora chegar a vez da TAM e da GOL.
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