MAPEAMENTO AÉREO - Empresa testa tecnologia inédita na Amazônia
Um dos principais problemas de aerolevantamentos feitos através do método convencional - fotografias aéreas - sempre foi a questão climática. O céu encoberto por nuvens e a falta de luz natural não permitem nem mesmo o uso de técnicas mais sofisticadas, como a fotografia por satélite. A Orbisat, empresa nacional que fabrica em Manaus componentes para recepção de sinais de TV via satélite, trouxe para a Amazônia uma tecnologia inédita, desenvolvida por engenheiros brasileiros. Ao invés da fotografia tradicional, a empresa utiliza imagens de radar. Isso permite que o serviço seja feito até mesmo à noite ou com o tempo nublado. Outra vantagem é a precisão: usando seu máximo poder de resolução, o radar constrói mapas que registram qualquer objeto maior que 50 centímetros.
Com essa tecnologia, a empresa busca conquistar no mercado nacional um espaço que já conquistou internacionalmente. “Mapeamos mais de 25% do território venezuelano para o Instituto Geográfico da Venezuela, ligado ao Ministério do Meio Ambiente de lá. Na Itália, realizamos o mesmo tipo de levantamento, só que para fins turísticos. No Equador, trabalhamos para a empresa brasileira Odebrecht, num grande projeto de controle de inundações. Na Suíça, nossos serviços foram utilizados para a prevenção de avalanches”, cita o gerente de operações em campo, general Armindo Fernandes.
“Nosso método já comprovou ser eficaz na Bacia de Campos (RJ), onde conseguimos registrar, às 2 horas da manhã, uma grande mancha de óleo a 200 milhas da costa, detectada durante a realização de um evento científico em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Petrobrás”, completa Ferrnandes.
Outra vantagem desta tecnologia, segundo ele, é o tempo necessário para a execução do serviço. Todo o material é registrado em discos rígidos (HD´s de até 210 gigabytes) e, depois tratado conforme as especificações do cliente.
Os mapas, por exemplo, podem ser produzidos em escalas de cinza ou em cores, com destaque para determinado tipo de ocorrência geográfica (estradas, rios, pontes, etc), ou ainda o modelo digital do terreno, permitindo fazer simulações em 3D. Isso tudo com uma possibilidade de erro máximo de 7 centímetros no plano horizontal e 10 centímetros em altura.
Além disso, os detalhes do relevo e da vegetação são reproduzidos com exatidão, porque o radar opera com duas bandas simultâneas: Banda P, que permite fazer um levantamento do relevo embaixo da floresta e a Banda X, que possibilita o mapeamento da superfície da copa das árvores.
A empresa obteve autorização especial do Ministério da Defesa para realizar o mapeamento de uma área do campo de instrução do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS). O radar foi instalado numa aeronave da empresa Manaus Aero Táxi para fazer um teste inédito, coordenado pelo capitão Pierre, da 4ª Divisão de Levantamento, destinado a localizar alvos escondidos na floresta, com a utilização do Sistema OrbiSAR-1.
O resultado do trabalho, que encontra-se em fase de processamento, será utilizado pela 4ª Divisão de Levantamento, integrante do Serviço Geográfico do Exército Brasileiro. Além deste teste, também vão ser gerados mapas atualizados de toda a área.
De acordo com o capitão engenheiro Pierre, responsável pela validação do teste, os novos mapas da área vão ser importantes para as operações de treinamento naquele campo de instruções.
Na avaliação do general Armindo Fernandes, o sistema apresentado pela Orbisat é considerado a solução ideal para a região amazônica, porque pode produzir resultados positivos em situações e condições adversas. Para justificar a sua argumentação ele informa que desde o fim do ano passado não se faz aerolevantamento na região por conta da ocorrência de nuvens.
“Mas nós fizemos. Além disso, somos uma empresa 100% nacional, com capital nacional, com tecnologia nacional, orgulhosamente brasileira. Estamos prontos para contribuir para o progresso da região. Nosso trabalho pode ser utilizado, por exemplo, para a elaboração de estudos de impacto ambiental como, por exemplo, para a construção do gasoduto (Coari-Manaus), manejo sustentável da floresta, estudo de impacto na construção de barragens e determinação de áreas de inundação, determinação de biomassa, controle de queimadas, enfim, uma infinidade de utilizações”, explica.

Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br
