Céu aberto para o interior

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Céu aberto para o interior

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Céu aberto para o interior
Estado de Minas - 10/04/2005
Os vôos regionais começam a ganhar força em Minas. A transferência de vôos do Aeroporto da Pampulha para o Tancredo Neves (Confins) e a situação caótica das estradas estão estimulando as empresas aéreas a operarem novas rotas no Estado. A grande batalha a partir de agora é criar infra-estrutura de operação. Há 97 aeroportos em Minas, classificados pela Secretaria de Estado dos Transportes e Obras Públicas. O transporte aéreo regular, no entanto, está restrito a apenas dez. Dos 97 aeroportos de Minas Gerais, apenas dez estão em operação

O Aeroporto da Pampulha tem atualmente 34 vôos regionais, transportando, em média, 600 passageiros por dia. A Total Linhas aéreas inaugura dia 29 um novo horário de Belo Horizonte para Diamantina. A OceanAir também tem solicitação no Departamento de Aviação Civil (DAC) de um vôo de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, com escalas em São João del-Rei e Juiz de Fora.

Os planos de investimentos para reforma e manutenção dos aeroportos começam a deslanchar - O custo das tarifas dos vôos regionais, no entanto, ainda é muito elevado. Tanto é que cerca de 90% dos passageiros, em geral, são executivos. O preço da passagem aérea de Belo Horizonte para Montes Claros, por exemplo, é de R$ 275,00 pela Total, incluindo a taxa de embarque. Com esse valor, é possível comprar quatro passagens de ônibus convencional para o mesmo trecho e ainda sobraria dinheiro. Na TransNorte, de transporte rodoviário, o preço é R$ 60,65. “A única maneira de diminuir o preço da passagem aérea é com a redução dos impostos sobre o combustível e melhorias na ocupação dos vôos”, afirma Deilson Cunha Matoso, superintendente da Total Linhas Aéreas, que opera vôos regionais.

Para desenvolver o potencial turístico, da indústria e do agronegócio no interior, técnicos do governo do Estado e do Comando da Aeronáutica selecionaram 69 aeroportos do interior, em diagnóstico que resultou no Plano Aeroviário de Minas, concluído em 2000. Eles foram enquadrados como regionais, locais e complementares.

Os investimentos para melhorar a infra-estrutura dos aeroportos no interior começaram há quatros anos, com recursos do Programa Federal de Auxílio aos Aeroportos (Profaa), alimentado por 20% da arrecadação da taxa aeroportuária paga pelos passageiros. Segundo dados do DAC, R$ 343 milhões foram aplicados desde 1994 em 154 aeroportos no País, de uma receita de R$ 736 milhões.

Do total dos aeroportos no interior de Minas, 46 não tinham terminal de passageiros na época do diagnóstico, ou seja, dois terços deles. Apenas dois foram enquadrados na categoria de grande porte. São de pequeno porte 84% e 30 deles têm pistas com piso de terra ou cascalho.

Júlio César Diniz Oliveira, gerente da Central Aeroportuária, órgão ligado à Secretaria dos Transportes de Minas, informa que já foram feitas obras em 15 aeroportos para adequar a infra-estrutura deles às condições da aviação regional. “A intenção é que, com as reformas e ampliações, o Estado tenha, a cada 100 quilômetros, um aeroporto em condições de atender ao transporte comercial”, afirma.

A rigor, o plano de investimentos só agora começa a deslanchar. Segundo Júlio Oliveira, R$ 72 milhões serão aplicados este ano, dos quais R$ 25 milhões no aeroporto de Itajubá, no Sul de Minas, R$ 21 milhões em São João del-Rei, R$ 15 milhões em Diamantina e R$ 9 milhões em Iturama, no Triângulo mineiro.

As propostas de preço para as obras em Diamantina, São João del-Rei, Iturama e Itajubá serão apresentadas quinta-feira. Oliveira informou, ainda, que estão definidas para 2006 a reforma e ampliação dos aeroportos de Brasilândia de Minas, Noroeste do Estado; Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, e Manhuaçu, na Zona da Mata. Em Brasilândia de Minas, governo e iniciativa privada negociam a chamada parceria público-privada (PPP) para o projeto.

Os técnicos da Secretaria dos Transportes estão debruçados também sobre um estudo para a manutenção e conservação de 56 aeroportos, com orçamento de R$ 50 milhões nos próximos quatro anos. Em sete cidades, existem apenas campos de pousos: Montalvânia, Monte Azul e Rio Pardo de Minas, no Norte do Estado; Piumhi, no Centro-Oeste; Buritis e Bonfinópolis de Minas, no Noroeste; e Capelinha, no Vale do Jequitinhonha.
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