O Estado de S. Paulo - 14/02/2005
As companhias aéreas Varig e TAM apresentam amanhã ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma proposta que prevê o término do acordo de compartilhamento de vôos (code-share) no dia 15 de maio. A proposta, que depende da aprovação do órgão de defesa da concorrência, prevê uma separação gradual dos vôos ao longo dos próximos três meses. Tido como benéfico para as empresas e ruim para o consumidor, o acordo está em vigor desde março de 2003. Ele reduziu a oferta de vôos e de tarifas especiais para o consumidor, mas aumentou a taxa de ocupação das aeronaves de ambas as companhias. Se antes elas voavam com pouco mais de 50% dos assentos vendidos, dois anos depois, a ocupação é de quase 70%. Ao fim do primeiro ano de code-share, elas já tinham revertido prejuízos e voltado a exibir lucros operacionais. Mas, se o acordo beneficiou ambas as empresas, beneficiou ainda mais a TAM, que ultrapassou a Varig e conquistou a liderança do mercado.
Da mesma forma, o fim do acordo será ruim para as duas, mas pior ainda para a Varig, avalia André Castellini, analista do setor aéreo e sócio da Bain & Company. "Com o fim do acordo, a Varig e a TAM terão de aumentar a freqüência e isso fará com que se aumentem os custos e se reduza a taxa de ocupação", diz. "Só que a TAM terá mais capacidade de aumentar essa oferta. Ela já possui frota suficiente para isso e aumentará ainda mais essa oferta com as aeronaves que estão previstas para este ano."
Das dez encomendas do Airbus 320 que a TAM fez no ano passado, quatro serão entregues até agosto. Uma quinta aeronave, modelo 330, de porte internacional, também chegará este ano. Por meio de sua assessoria, a empresa informou que as encomendas não têm relação com o fim do code-share mas, sim, com a previsão de crescimento do mercado este ano. "A empresa está preparada para o fim do acordo", afirmou a assessoria.
A Varig admite que o fim do code-share poderá levar a empresa a perder ainda mais mercado, sinalizando que prefere ter uma oferta menor com mais rentabilidade. Em uma entrevista recente, o presidente da empresa, Luiz Martins, admitiu que a Varig pode ser ultrapassada pela Gol, empresa que hoje ocupa a terceira posição no mercado.
Consumidor - Do ponto de vista do consumidor, porém, o fim do code-share implicará em mais opções de vôos. "O fim do acordo terá um impacto diametralmente oposto àquele provocado pela sua implementação", diz a economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Lúcia Helena Salgado. "Agora as duas empresas passarão a disputar o mesmo consumidor e terão de oferecer mais vôos e descontos." Lúcia discorda do argumento de que o aumento da oferta levará a uma redução da ocupação e, conseqüentemente, ao aumento do prejuízo. "Quando a concorrência aumenta, o preço cai e atrai mais consumidores, aumentando a ocupação."
Aéreas propõem fim do acordo
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Parceria Varig-TAM acaba em 90 dias
Folha de S. Paulo - 16/02/2005
Varig e TAM apresentaram ontem no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) uma proposta para o fim do compartilhamento de vôos ainda no primeiro semestre. Segundo o proposto, o compartilhamento acaba em 90 dias, a partir da aprovação do órgão. O Cade julga a questão na próxima quarta-feira. Quando o Cade determinou o término do acordo, no final do mês passado, as empresas falaram em um prazo de cinco meses para o término, mas resolveram atender ao pedido do órgão para que o fim do compartilhamento ocorresse no menor tempo possível.
"A idéia é que a nova malha fique pronta antes da alta estação", declarou o vice-presidente operacional da Varig, Alberto Fajerman. De acordo com ele, as duas companhias ainda estão estudando se vale a pena operacionalizar o fim do acordo em três etapas ou se isso será feito de uma vez só. Segundo analistas, a Varig teria que colocar mais aviões nas rotas domésticas para dar conta do fim do "code share" sem perder participação de mercado para as concorrentes. A questão é como ela, em situação financeira difícil, conseguiria fazer isso, mesmo porque seus custos aumentariam.
Em março de 2003, mês em que o acordo operacional teve início, a fusão entre a Varig e a TAM era a saída que o governo apontava para solucionar a crise na primeira. Hoje, a fusão está descartada, e, dessa forma, o Cade decidiu que o mecanismo não se justifica mais.
A fusão deixou de ser uma alternativa, segundo as empresas, por causa da posição do próprio governo. Segundo o documento apresentado ao Cade, a desistência se deve à "recente mudança na abordagem da questão do setor aéreo pelo governo brasileiro, em especial, pelo Ministério da Defesa, com a decisão de buscar um equacionamento da situação financeira da Varig isoladamente".
Folha de S. Paulo - 16/02/2005
Varig e TAM apresentaram ontem no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) uma proposta para o fim do compartilhamento de vôos ainda no primeiro semestre. Segundo o proposto, o compartilhamento acaba em 90 dias, a partir da aprovação do órgão. O Cade julga a questão na próxima quarta-feira. Quando o Cade determinou o término do acordo, no final do mês passado, as empresas falaram em um prazo de cinco meses para o término, mas resolveram atender ao pedido do órgão para que o fim do compartilhamento ocorresse no menor tempo possível.
"A idéia é que a nova malha fique pronta antes da alta estação", declarou o vice-presidente operacional da Varig, Alberto Fajerman. De acordo com ele, as duas companhias ainda estão estudando se vale a pena operacionalizar o fim do acordo em três etapas ou se isso será feito de uma vez só. Segundo analistas, a Varig teria que colocar mais aviões nas rotas domésticas para dar conta do fim do "code share" sem perder participação de mercado para as concorrentes. A questão é como ela, em situação financeira difícil, conseguiria fazer isso, mesmo porque seus custos aumentariam.
Em março de 2003, mês em que o acordo operacional teve início, a fusão entre a Varig e a TAM era a saída que o governo apontava para solucionar a crise na primeira. Hoje, a fusão está descartada, e, dessa forma, o Cade decidiu que o mecanismo não se justifica mais.
A fusão deixou de ser uma alternativa, segundo as empresas, por causa da posição do próprio governo. Segundo o documento apresentado ao Cade, a desistência se deve à "recente mudança na abordagem da questão do setor aéreo pelo governo brasileiro, em especial, pelo Ministério da Defesa, com a decisão de buscar um equacionamento da situação financeira da Varig isoladamente".
