Meus prezados:
Acidentes de percurso
- Quando lembro das condições de vôo, me pergunto como não houve mais acidentes - registra o comandante Götz Herzfeldt, que teve os dele, dois para ser mais exato.
O primeiro foi quando o chefe dos pilotos ia noivar em São Leopoldo, e Götz e outros colegas resolveram jogar flores na casa da noiva. Uma delas se prendeu no estabilizador, obrigando um pouso de emergência - o avião ficou danificado. A experiência quase lhe custou a vida. Era 1949, e Gotz trazia estudantes de São Paulo quando o avião pegou fogo. Quatro pessoas morreram.
- Uma guimba de cigarro iniciou o fogo - narra Gisela.
Pela bravura de ter salvo a maioria dos passageiros, Götz recebeu uma medalha de ouro do Ministério da Justiça.
(Des) Serviço de bordo
A companhia que desfruta do prestígio de um serviço de bordo indefectível já precisou colocar passageiro para ajudar o avião a levantar vôo. Isso mesmo. Conforme Götz, o grande problema do F-13 era a partida, que tinha de ser dada com ar comprimido.
Em Porto Alegre e Pelotas, havia fábrica de "ar de cervejaria", como dizia o comandante. Mas em localidades em que esse "luxo" não existia, era preciso usar um compressor manual. Quando toda a tripulação já estava morta de cansaço de bombear ar para o motor, era preciso colocar os próprios passageiros na labuta.
Filosofia alemã
Quem sonhava em ser piloto da Varig tinha que começar limpando avião. Foi assim, de macacão azul e boina na cabeça, que o piloto mais antigo da companhia retirava lonas, abria o capô e passava graxa nas molas das válvulas do motor, que não tinham lubrificação com óleo.
- Colocávamos Mobil Grease, um troço pegajoso - conta.
Também era tarefa dos aprendizes de piloto tirar os sacos de vômito do avião.
- Na filosofia alemã, é preciso cumprir bem as tarefas básicas para poder avançar rumo às funções mais complexas.
Traquinagem com o Zeca
Era 1939, e a determinação era austera: "(...) lembrar sempre o seguinte: nada arriscar! Trazer a máquina inteira para Porto Alegre (...). Otto Ernst Meyer."
Com Goiânia como destino, e uma longa viagem de trem pela frente, Götz, à época um instrutor de vôos carente de um avião que lhe possibilitasse realizar acrobacias, recebeu a missão de trazer à Capital a nova aquisição da companhia: um Bücker Jungmann, apelidado de Zeca. Carburador revisado, era hora de decolar. Sem pestanejar, porém, subverteu as ordens, matando a saudade das acrobacias.
Rio-NY
Os primeiros vôos no Super Constellation com saída do Rio rumo a Nova York, em 1955, requeriam pelo menos 21 horas de viagem, sem contar escalas em Belém e Trujillo. Hoje, o trajeto é feito em oito horas.
Perigos do céu
Mesmo um toalete a bordo não impedia o comandante de assistir a cenas hilárias a mil metros de altitude. Como as janelas podiam ser abertas na viagem, não raro algum saco de vômito ganhava liberdade.
Pista ilustre
O pior campo de pouso de Götz não poderia ser mais ilustre: o da Fazenda Itu, do ex-presidente Getúlio Vargas, pequeno e inclinado. Teve vezes em que as cercas no fim da pista acabaram sendo arrancadas.
Noite alta
Com os motores Conway, da Rolls-Royce, era preciso uma temperatura amena para as decolagens. Foi assim que nasceu a prática de partir à noite para a realização de longos percursos.
Probleminha anatômico
O 1m90cm de altura de Götz lhe exigia procedimentos especiais nos aviões: para caber na cabine, colocava o encosto sobre o acento da poltrona. Nos planadores, era ainda pior. Tinha de tirar os sapatos e o pára-quedas.
Alô, alô?
- Como está aí? Você vê de longe?
- Vejo - respondiam na estação de trem, no caminho entre Pelotas e Bagé.
- Estamos a caminho então.
Era assim que Götz tomava conhecimento das condições climáticas. Sem a possibilidade de conduzir vôos por instrumentos, o piloto seguia a estrada de ferro para fazer a a linha Pelotas-Bagé.
fonte: jornal "Zero Hora" 7 mai 2006
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
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VARIG: primórdios de uma aviação
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- Maurício
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Re: VARIG: primórdios de uma aviação
Que brilhante carreira! Deve ter pilotado todos (ou quase) os equipamentos da Varig. Desde antes do DC-3 até o B747.
Maurício.
Isso ocorreu em 28 AGO 1949, com o C-46 prefixo PP-VBI da Varig, em Jaquirana, São Francisco de Assis (RS), fazendo pouso forçado após incêndio a bordo, morrendo o Comissário João Motta Ferreira.jambock escreveu: Era 1949, e Gotz trazia estudantes de São Paulo quando o avião pegou fogo. Quatro pessoas morreram.
- Uma guimba de cigarro iniciou o fogo - narra Gisela.
Pela bravura de ter salvo a maioria dos passageiros, Götz recebeu uma medalha de ouro do Ministério da Justiça.
Maurício.
Re: VARIG: primórdios de uma aviação
Que ironico!jambock escreveu:Filosofia alemã
Quem sonhava em ser piloto da Varig tinha que começar limpando avião.
Antigamente a Varig exigia extrema humildade para poder ser piloto dela.
Hj Colegio deliberante da FRB (formado na maioria por pilotos) afundam a Varig pq estao mais preocupados com seus egos.
Fernando Marcato


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jambock
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Prezado Maurício:
Com tua informação enriqueceste por demais o tópico. Valeu!
Prezado Marcato:
Em princípio concordo. Mas veja, os "caras" estão dispostos a reduzir seus salários em 30%. Agora estão preferindo entregar os anéis e salvar os dedos.
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
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Prezado Marcato:
Em princípio concordo. Mas veja, os "caras" estão dispostos a reduzir seus salários em 30%. Agora estão preferindo entregar os anéis e salvar os dedos.
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