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Para ex-ministro, eventual cisão da VARIG não obteria sucesso.
Reuters 18:08 28/04
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A hipótese de dividir a Varig em duas empresas, que será decidida na terça-feira em assembléia de credores, é criticada duramente pelo brigadeiro Mauro Gandra, que descarta com veemência a chance de o processo ser bem-sucedido.
"Empresas que operam somente no mercado doméstico dão certo, mas apenas nos vôos internacionais não conseguem se sustentar, porque têm que alimentar esses vôos", avaliou Gandra em entrevista à Reuters.
Na opinião dele, que tem 50 anos de experiência no setor aéreo, o governo deveria dar um prazo para a companhia acertar suas dívidas e acelerar o pagamento da ação ganha pela Varig na Justiça contra a União, sobre tarifas congeladas no passado.
"Mas isso deveria ser feito por meio do Congresso, para o governo ter respaldo. Sei que é difícil, mas não vejo outra solução, a não ser rezar para Nossa Senhora do Loreto", brincou, citando a padroeira do setor.
Quanto ao seu claro repúdio à cisão da Varig, ele justificou dizendo que seriam necessários acordos com outras companhias para manter a operação.
"A TWA é um exemplo disso, tinha um doméstico fraco e internacional forte, e não aguentou", relatou, referindo-se à mais antiga companhia dos Estados Unidos que pediu concordata em 2001.
Gandra, que foi ministro da Aeronáutica no governo passado e fez propostas de ajuda à Varig, rejeitadas na época pelos controladores da companhia, a Fundação Ruben Berta, informou que a mais tradicional empresa aérea brasileira já está com um doméstico fraco.
Fontes próximas ao especialista relataram que, em abril, a participação no mercado doméstico da Varig despencou para 12 por cento, contra 19 por cento em março.
"Eles cancelaram muitos vôos e estão sem dinheiro para manutenção, a frota está perto dos 48 aviões", afirmou, lembrando que até pouco tempo atrás a Varig tinha mais de 100 aeronaves.
Na visão de Gandra, a crise da Varig começou há cerca de 10 anos pela má-gestão da Fundação Ruben Berta e foi agravada com a demissão de Fernando Pinto, hoje presidente da portuguesa Tap, que tinha um plano de enxugamento da empresa quando o mercado estava se retraindo, em fins da década passada.
"Depois vieram a crise asiática, a desvalorização do real, os ataques de 11 de setembro, achatamento de tarifas... tudo isso e a má gestão deram no que estamos vendo agora", resumiu.
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br
VARIG: Cisão não teria sucesso, diz Brigadeiro Gandra
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