Governo muda de rumo na crise da Varig
Pressionado por sindicatos e até por aliados no Congresso, o governo tenta afinar o discurso na busca de uma solução para a crise da Varig. Apesar da decisão liderada pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, de não injetar recursos públicos na aérea, o governo mudou a estratégia, diante do desgaste eleitoral, e deve atuar como apoiador de uma solução, a partir do plano de recuperação judicial.
- Está em curso um plano para ajudar a empresa. Não quer dizer que seja com dinheiro do orçamento - alerta um ministro com voz no Planalto.
A mudança de postura foi construída na última semana e tem papéis definidos. A decisão final segue na cabeça do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma, mas a frente das negociações foi tomada pelo ministro da Defesa, Waldir Pires - por determinação de Lula. À Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cabe o monitoramento direto da situação. Tanto o presidente Milton Zuanazzi quanto a diretora que cuida do assunto, Denise Abreu, são pessoas de confiança da ministra.
Quando Pires disse, na quinta-feira, que o governo está disposto a aplicar verbas na empresa, desde que dentro da legalidade, expôs a nova rota: se a Varig der seqüência ao plano de recuperação judicial e se acertar com um investidor privado, as chances de o governo oferecer ajuda crescem (veja quadro).
Reconhecido pela diplomacia, o ex-corregedor da República nunca enterrou as esperanças dos funcionários e não hesitava em manter o ânimo dos movimentos pró-Varig.
- Sei da importância da Varig e vou entrar em campo junto ao Planalto - teria prometido Pires.
A mudança do discurso em Brasília ganhou força na última segunda-feira, quando o juiz da 8ª Vara Empresarial, Luiz Roberto Ayoub, descartou a falência, classificando a companhia como viável. Era o empurrão que os defensores da Varig dentro do governo precisavam.
Até aparecer a possibilidade concreta de um investidor (a VarigLog), porém, na equipe de Dilma o sentimento era outro.Rodeada de técnicos do período de José Dirceu - defensores da antiga idéia de fusão da Varig com a TAM -, a ministra nunca quis ouvir falar em colocar dinheiro público na empresa.
Descontente com as informações disponíveis sobre a gestão da Fundação Ruben Berta, a ministra chegou a destacar um engenheiro do Ministério da Ciência e Tecnologia para analisar os rumos da Varig. O estudo já foi concluído.
Nesta semana, Zuanazzi e Pires se encontram para discutir a proposta da VarigLog, considerada como a saída que tira a batata quente da mão do governo. Um assessor, no entanto, alerta que uma solução não deve sair tão rapidamente:
- A questão é crítica. A saída está na estratosfera da cabeça de Dilma e de Lula.
fonte: jornal "Zero Hora" 23 abr 2006
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br
