Estão de olho em nosso aeroporto
Editorial - Gazeta de Ribeirão
Não parece lógico que Ribeirão Preto perca para uma cidade de menor porte da sua própria região o aeroporto internacional que está em vias de ser instalado. Mas perece possível.
Em meio a uma série de discussões sobre a internacionalização e consequente ampliação do Aeroporto Leite Lopes, surge correndo por fora o município de Sertãozinho, se oferecendo para ficar com os investimentos e com toda a estrutura que a obra vai gerar.
Segundo as últimas reportagens produzidas pela Gazeta de Ribeirão os investimentos para as obras poderiam chegar à casa dos R$ 150 milhões, sem falar na imensa quantidade de benefícios que um aeroporto de padrão internacional pode oferecer a uma região inteira.
Enquanto se arrastam discussões sobre desapropriação de casas, barracos e favelas, questões de ruídos, de largura de pista, de impactos ambientais e de condições técnicas para o novo terminal de cargas e passageiros, a vizinha cidade acena com a possibilidade de menos dores de cabeça e mais agilidade na solução do impasse.
Pois bem. A região não seria prejudicada com a mudança de rota do Daesp de Ribeirão para a vizinha cidade. Empresas que, por exemplo, exportariam por Ribeirão podem tranquilamente enviar seus produtos até Sertãozinho em caso de o novo aeroporto ficar lá. Assim como outros municípios também fariam o mesmo.
Área para a instalação da estrutura também não seria problema, especialmente com desapropriações de casas e barracos de favela. Bastaria escolher uma área plana, próxima a rodovias e fora do perímetro urbano. Que pudesse oferecer conforto ao aeroporto por algumas décadas.
Uma reunião entre políticos e empresários de Sertãozinho com diretores do Daesp, que administra o Leite Lopes e vai fazer os investimentos, está agendada para a próxima semana. E não se deve acreditar que a reunião será apenas de cortesia.
A notícia da entrada de Sertãozinho na briga pelo aeroporto é uma coisa séria, e precisa ser encarada pelas autoridades de Ribeirão como um sinal de alerta para a política que vem sendo adotada na discussão do caso.
Sem querer entrar no mérito das questões que estão sendo analisadas, há uma demora muito grande para que a decisão seja efetivada.
O Ministério Público e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente precisam analisar o fato com maior agilidade, e, mesmo para proibir as obras, precisam definir o que vai acontecer com mais rapidez.
Assim como a prefeitura, a Câmara e os deputados de Ribeirão precisam articular nos bastidores uma solução viável para o caso, que permita que a cidade receba o aeroporto, mas tenha respeitados todos os direitos e normas legais previstos em nossa legislação.
O sinal de alerta já foi dado. Esperemos que não seja necessário ver até onde vai o projeto sertanezino.
Estão de olho em nosso aeroporto (Ribeirão Preto)
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- Marcelo Areias
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Estão de olho em nosso aeroporto (Ribeirão Preto)
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Sertãozinho quer aeroporto
Sertãozinho quer aeroporto
Grupo de empresários e políticos consulta Daesp e tem reunião agendada para próxima semana sobre o assunto
IGOR SAVENHAGO
Gazeta de Ribeirão
Um grupo de políticos e empresários de Sertãozinho procurou, durante esta semana, a direção do Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo) para discutir a possibilidade de levar o Aeroporto Leite Lopes para o município, distante 15 quilômetros de Ribeirão. A informação foi passada à reportagem por um empresário que não quis se identificar e confirmada, no final da tarde de ontem, pelo diretor regional do Daesp, Álvaro Cardoso Júnior.
Júnior só não deixou claro quem compõe o grupo, mas informou que seus membros fizeram uma proposta ao Daesp para que o aeroporto fosse transferido para Sertãozinho, que está sendo analisada. Na semana que vem, a superintendência do órgão, em São Paulo, deverá marcar uma reunião com a participação dos interessados para discutir a questão. De acordo com Júnior, a proposta é levar toda a estrutura para Sertãozinho, tanto para atender passageiros como o transporte de cargas.
Contato
O secretário da Indústria e Comércio de Sertãozinho, Marcelo Pelegrini, também conversou com a Gazeta, ontem à noite. Ele confirmou o contato com o Daesp, mas disse que não há uma proposta oficial para levar o aeroporto. Também afirma que o Daesp foi procurado pela prefeitura. "Desconheço que algum empresário que tenha demonstrado esse interesse".
Pelegrini explica que as únicas solicitações do município são relacionadas a informações sobre a possibilidade de Sertãozinho sediar o aeroporto caso o Leite Lopes não permaneça em Ribeirão. "Ficamos sabendo que nossa cidade está entre as cidades analisadas para receber a obra. Só queremos obter informações sobre o estudo, saber o que existe de concreto nisso. Quero esclarecer que não foi feita nenhuma proposta oficial ao Daesp", afirma. "Ribeirão Preto é uma cidade irmã e não queremos tirar o aeroporto de lá", emenda.
Questionado se aceitaria receber o aeroporto caso o projeto de internacionalização do Leite Lopes não seja aprovado, Pelegrini disse: "Sim, mas somente se houver impedimento para a permanência em Ribeirão. Acredito que, comparando com Serrana e Jardinópolis, que são as outras hipóteses estudadas, Sertãozinho oferece melhores condições estruturais", acredita.
Comdema
A notícia do interesse de Sertãozinho vem à tona numa semana em que as discussões sobre o aeroporto se acirraram. O Comdema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), por exemplo, recebeu mais dois pareceres contrários ao projeto de internacionalização do aeroporto Leite Lopes.
Um é do professor e especialista em transporte aéreo, Romeu Corsini, da USP de São Carlos. Outro é de autoria de Luiz Alberto Navarro de Araújo, responsável técnico da LNA, empresa de projetos e perícias em acústica.
Navarro analisou o EIA-Rima (estudo de impacto ambiental obrigatório) do Leite Lopes a pedido da Associação de Moradores do Jardim Aeroporto - que encaminhou o parecer ao Comdema. Na avaliação dele, o EIA-Rima deixou a desejar na análise do nível de ruído, que aumentaria com a ampliação do aeroporto.
"Essa é uma questão delicada. Acho que o estudo ficou devendo informações sobre isso. Foi feita uma análise apenas superficial do problema. A poluição sonora tem que ser melhor discutida com os moradores do entorno do Leite Lopes", relata.
O próprio Comdema já havia emitido um parecer contrário à obra. A presidente do órgão, Simone Kandratevicius, diz que é necessário ter bom senso. "É melhor remover o aeroporto do que milhares de famílias que moram ali".
Audiência será no dia 24
No dia 24 deste mês, está marcada uma audiência pública sobre o aeroporto. Na oportunidade, o Consema (Conselho Estadual de Defesa do Meio Ambiente) vai analisar definitivamente o EIA-Rima, estudo feito pelo Governo Estadual para avaliar se o Leite Lopes tem condições de ser transformado em aeroporto internacional.
O professor Romeu Corsini, por exemplo, é taxativo. Para ele, transformar o Leite Lopes em aeroporto internacional de cargas fere as determinações da Organização Internacional da Aviação Civil.
"A recomendação é que um aeroporto internacional não seja feita em área urbana. Além disso, manter o Leite Lopes no local onde está tiraria a possibilidade de uma expansão ainda maior, caso seja necessária", argumenta o professor. Ele alega que os recursos previstos para desapropriar as residências próximas ao Leite Lopes seriam suficientes para construir um novo aeroporto, afastado de áreas urbanizadas.
Além de Sertãozinho, Serrana e Jardinópolis, cidades analisadas no EIA-Rima, Corsini defende, ainda, uma nova área para receber o empreendimento: perto da rodovia Anhangüera, na entrada de Jardinópolis. "Essa foi uma opção que resultou de um estudo da USP, em 1976, e poderia ter, inclusive, um distrito empresarial acoplado a ele", declara. (Gazeta de Ribeirão)
'Perderíamos negócios'
Entidades como a ACIRP (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) e a AEAARP (Associação de Engenheiros e Agrônomos de Ribeirão) não querem nem ouvir falar na possibilidade da transferência do aeroporto para outra cidade. Para o presidente da ACIRP, Francisco Pinghera, Ribeirão perderia muitos negócios se isso ocorresse. "Não posso concordar em hipótese alguma que o aeroporto fique fora de Ribeirão. Toda cidade importante tem um aeroporto e aqui não pode ser diferente", diz e emenda: "Nós confiamos no estudo de impacto ambiental".
Wilson Luiz Laguna, presidente da AEAARP e secretário do Planejamento de Ribeirão Preto, concorda: "Se o aeroporto for para outro município, vamos ter prejuízos. Se os moradores não forem injustiçados, recebendo uma indenização justa pela desapropriação, acredito que não há problemas em internacionalizar o Leite Lopes", afirma ele. (Gazeta de Ribeirão)
Grupo de empresários e políticos consulta Daesp e tem reunião agendada para próxima semana sobre o assunto
IGOR SAVENHAGO
Gazeta de Ribeirão
Um grupo de políticos e empresários de Sertãozinho procurou, durante esta semana, a direção do Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo) para discutir a possibilidade de levar o Aeroporto Leite Lopes para o município, distante 15 quilômetros de Ribeirão. A informação foi passada à reportagem por um empresário que não quis se identificar e confirmada, no final da tarde de ontem, pelo diretor regional do Daesp, Álvaro Cardoso Júnior.
Júnior só não deixou claro quem compõe o grupo, mas informou que seus membros fizeram uma proposta ao Daesp para que o aeroporto fosse transferido para Sertãozinho, que está sendo analisada. Na semana que vem, a superintendência do órgão, em São Paulo, deverá marcar uma reunião com a participação dos interessados para discutir a questão. De acordo com Júnior, a proposta é levar toda a estrutura para Sertãozinho, tanto para atender passageiros como o transporte de cargas.
Contato
O secretário da Indústria e Comércio de Sertãozinho, Marcelo Pelegrini, também conversou com a Gazeta, ontem à noite. Ele confirmou o contato com o Daesp, mas disse que não há uma proposta oficial para levar o aeroporto. Também afirma que o Daesp foi procurado pela prefeitura. "Desconheço que algum empresário que tenha demonstrado esse interesse".
Pelegrini explica que as únicas solicitações do município são relacionadas a informações sobre a possibilidade de Sertãozinho sediar o aeroporto caso o Leite Lopes não permaneça em Ribeirão. "Ficamos sabendo que nossa cidade está entre as cidades analisadas para receber a obra. Só queremos obter informações sobre o estudo, saber o que existe de concreto nisso. Quero esclarecer que não foi feita nenhuma proposta oficial ao Daesp", afirma. "Ribeirão Preto é uma cidade irmã e não queremos tirar o aeroporto de lá", emenda.
Questionado se aceitaria receber o aeroporto caso o projeto de internacionalização do Leite Lopes não seja aprovado, Pelegrini disse: "Sim, mas somente se houver impedimento para a permanência em Ribeirão. Acredito que, comparando com Serrana e Jardinópolis, que são as outras hipóteses estudadas, Sertãozinho oferece melhores condições estruturais", acredita.
Comdema
A notícia do interesse de Sertãozinho vem à tona numa semana em que as discussões sobre o aeroporto se acirraram. O Comdema (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente), por exemplo, recebeu mais dois pareceres contrários ao projeto de internacionalização do aeroporto Leite Lopes.
Um é do professor e especialista em transporte aéreo, Romeu Corsini, da USP de São Carlos. Outro é de autoria de Luiz Alberto Navarro de Araújo, responsável técnico da LNA, empresa de projetos e perícias em acústica.
Navarro analisou o EIA-Rima (estudo de impacto ambiental obrigatório) do Leite Lopes a pedido da Associação de Moradores do Jardim Aeroporto - que encaminhou o parecer ao Comdema. Na avaliação dele, o EIA-Rima deixou a desejar na análise do nível de ruído, que aumentaria com a ampliação do aeroporto.
"Essa é uma questão delicada. Acho que o estudo ficou devendo informações sobre isso. Foi feita uma análise apenas superficial do problema. A poluição sonora tem que ser melhor discutida com os moradores do entorno do Leite Lopes", relata.
O próprio Comdema já havia emitido um parecer contrário à obra. A presidente do órgão, Simone Kandratevicius, diz que é necessário ter bom senso. "É melhor remover o aeroporto do que milhares de famílias que moram ali".
Audiência será no dia 24
No dia 24 deste mês, está marcada uma audiência pública sobre o aeroporto. Na oportunidade, o Consema (Conselho Estadual de Defesa do Meio Ambiente) vai analisar definitivamente o EIA-Rima, estudo feito pelo Governo Estadual para avaliar se o Leite Lopes tem condições de ser transformado em aeroporto internacional.
O professor Romeu Corsini, por exemplo, é taxativo. Para ele, transformar o Leite Lopes em aeroporto internacional de cargas fere as determinações da Organização Internacional da Aviação Civil.
"A recomendação é que um aeroporto internacional não seja feita em área urbana. Além disso, manter o Leite Lopes no local onde está tiraria a possibilidade de uma expansão ainda maior, caso seja necessária", argumenta o professor. Ele alega que os recursos previstos para desapropriar as residências próximas ao Leite Lopes seriam suficientes para construir um novo aeroporto, afastado de áreas urbanizadas.
Além de Sertãozinho, Serrana e Jardinópolis, cidades analisadas no EIA-Rima, Corsini defende, ainda, uma nova área para receber o empreendimento: perto da rodovia Anhangüera, na entrada de Jardinópolis. "Essa foi uma opção que resultou de um estudo da USP, em 1976, e poderia ter, inclusive, um distrito empresarial acoplado a ele", declara. (Gazeta de Ribeirão)
'Perderíamos negócios'
Entidades como a ACIRP (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) e a AEAARP (Associação de Engenheiros e Agrônomos de Ribeirão) não querem nem ouvir falar na possibilidade da transferência do aeroporto para outra cidade. Para o presidente da ACIRP, Francisco Pinghera, Ribeirão perderia muitos negócios se isso ocorresse. "Não posso concordar em hipótese alguma que o aeroporto fique fora de Ribeirão. Toda cidade importante tem um aeroporto e aqui não pode ser diferente", diz e emenda: "Nós confiamos no estudo de impacto ambiental".
Wilson Luiz Laguna, presidente da AEAARP e secretário do Planejamento de Ribeirão Preto, concorda: "Se o aeroporto for para outro município, vamos ter prejuízos. Se os moradores não forem injustiçados, recebendo uma indenização justa pela desapropriação, acredito que não há problemas em internacionalizar o Leite Lopes", afirma ele. (Gazeta de Ribeirão)
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