Meus prezados:
A quem interessa a quebra da Varig?
Leia artigo de Luiz Fernando Mury e Marcelo Jones, que estão criando a Afavi
Luiz Fernando Mury e Marcelo Jones Guimarães, agentes de viagens do Rio de Janeiro, e idealizadores de uma nova entidade para defender o interesse dos agentes de viagens, a Afavi, ainda em gestação e em negociação com a Abav-RJ.
"Infelizmente, sinto que estamos assistindo a uma pantomima, onde as entidades ora existentes e constituídas irão falar que isso e aquilo deveria ser feito, mas nenhuma irá posicionar-se firmemente em favor, nem da Varig, nem do agente de viagens (muito menos). Aliás, noto que a Braztoa até já considera um fato praticamente consumado, a Varig fora, do que interpelando por alguma ação realmente decisiva por parte do Governo, para mantê-la operando.
A pergunta é: quem está realmente ganhando com isso? Quem está incentivando de maneira absolutamente vil e interesseira, a quebra da Varig? Isso vai muito mais além do que a Tam, Gol, BRA e Ocean Air. Sabemos, sim, que elas seriam as beneficiadas diretas, pegando o espólio da finada, que são as suas rotas, domésticas e internacionais.
Creio que haja política graúda envolvida nisso, pois tem-se que lembrar que é o governo, através de seus órgãos "competentes" (?) (DAC/ANAC), é quem concede as linhas/rotas, e quem tem as condições ideais de operá-las. Sou capaz de apostar que verdadeiras somas são comprometidas nesse jogo de influências, onde em momento algum está se colocando em conta a questão social, que será a conseqüência imediata ao encerramento das operações da moribunda.
Questão social ? Milhares de empregos diretos e indiretos eliminados do dia para noite? "Ah, isso tudo se arruma depois ... Pensando bem, isso não é um problema meu; não fui eu quem geriu mal a empresa, deixando esses coitados com uma mão na frente e outra atrás ... " , talvez pensem, essa meia-dúzia de caciques. Isto não será um problema deles. Aliás, talvez pensem que nem será tanto assim, pois alguns funcionários deverão ser "absorvidos", pelas demais empresas, uma vez que tenham qualificação e experiência na área. Não será no bolso ou na família deles que irá repercutir essa situação; Muito pelo contrário...
Então, vejamos se minha visão está muito errada:
Companhias aéreas desejam operar mais rotas, internacionais de preferência, pois ganhando em dólar, facilita-se o pagamento dos contratos de leasing de suas aeronaves. Mas para tal, precisam da benção governamental;
Aos trancos e barrancos a Varig vem conseguindo sobreviver, mesmo com o apoio daqueles a quem um dia ela mesmo traiu, os agentes de viagens... "Droga, não contávamos com este apoio; Precisamos algo mais contundente ", alguns devem ter pensado.
Sendo assim, Infraero e a BR Distribuidora exigem que dívidas sejam pagas imediatamente. Divulgam isto por toda a mídia e finalmente assistem instalar-se o pânico entre os "aliados" que a mantinham viva, os agentes de viagens.
Os agentes de viagens, finalmente temerosos em ter que, mais uma vez, arcar com pesados prejuízos de reembolso, pois assim reza a legislação vigente, imediatamente param de vender/emitir Varig, até que algo concreto garanta que não irão "pagar o pato".
Obviamente não vem nenhuma notícia tranqüilizadora; ao contrário, não só continua o terror, como entidades já começando a estudar como será o "Plano B", dando como praticamente certo o encerramento das atividades da Varig. Aliás, tenho até medo que nosso presidente venha a público para dizer, mais uma vez, que não sabia que isto estava acontecendo...
Sem credibilidade, sem receita, e finalmente sem liquidez, a agonia segue enfim para o seu epílogo: a Varig faliu.
"Oba, finalmente!" Poderão dizer alguns poucos graúdos, em várias esferas de interesse...
Politicamente falando, vejamos o seguinte quadro: a Varig tem suas principais bases no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul... As demais, são todas de São Paulo. Será pura coincidência termos o ex-governador do Estado de São Paulo, candidato à Presidência da República, pela oposição, querendo mais que haja milhares de desempregados (Brasil afora, em sua maioria), em pleno ano eleitoral? Notem que há vários ângulos para se observar o mesmo assunto.
Conjecturo, então, deixando claro que se trata apenas de uma suposição, se algumas operadoras não tenham sido incentivadas a instaurar o clima de insegurança no mercado, em troca de melhores condições de pagamento, tarifas-acordo, facilidades em confirmação etc, para si mesmas. Ou, quem sabe, induzidas talvez de forma inconsciente? Acho pouco provável, em sua maioria.
Ora, não devemos esquecer que este tipo de conversa/negociação existe diariamente entre operadoras e companhias aéreas, em um verdadeiro "toma lá, dá cá". Menos uma concorrente no mercado, é bom até mesmo para quem está apenas adiando os planos de ação, aguardando um momento mais propício, para abrir uma nova companhia aérea. Dando nome aos burros, refiro-me à CVC, que teria todo um respaldo técnico de sua aliada Tam, para enfim fazer voar a Samba.
A Gol é apenas a "caloura do pedaço", que está se aventurando firmemente nesse mercado. Claro que se beneficiará, mas não precisou desse enredo todo para chegar ao patamar de sucesso atual. Veio comendo mingau pelas beiradas e muito bem gerida (mas suponho que também tenha tido um bom padrinho no DAC, para conseguir rotas nobres no mercado doméstico em tempo recorde), ganhando a confiança do mercado em geral.
A Ocean Air está entrando no picadeiro agora, mas tem um bom trunfo nas mãos, além de um competente presidente, o sr. Eframovich, que começou a alçar vôos em algumas capitais recentemente, tendo uma boa alimentadora regional, e um braço que começa a se fortalecer na Colômbia e, talvez, brevemente no México também.
Então se fecha um ciclo... A Varig "lucrou" ao fechar a Panair, herdando o valoroso espólio - rotas internacionais e equipamentos; ajudou a liquidar com a Soletur e, no dia seguinte, nasceu a Varig Travel; e finalmente, o feitiço começa a virar contra o feiticeiro, pois numa série de divergências e conflito de interesses, brotou a BRA, que como um alien, sugou a vida de sua criadora, quase a matando há três anos. Vários percalços, e foi-se a Vasp (menos uma), mas ainda cambaleante e sobrevivendo com estilo e alguma altivez, mantendo os dourados ovos que são as rotas internacionais, até que finalmente se conjura o momento propício para o golpe de misericórdia.
Ora, os agentes de viagens? Estes são desunidos o suficiente para não ter influência alguma nesse processo. Estamos tão preocupados com a nossa própria sobrevivência, que mal avaliamos o que se sucede à nossa volta. Aguardamos que os outros decidam como iremos agir a partir de então; deixamo-nos ser conduzidos aos interesses de outros, e alegrando-se com migalhas. Há uma mentalidade derrotista, do tipo “não adianta, que não vai funcionar", que nos impede de começar a falar e impor de volta aos nossos fornecedores, em uníssono, que :
NÃO ACEITAMOS MAIS AS CONDIÇÕES E REGRAS QUE NOS SÃO IMPOSTAS. NÓS SOMOS O MERCADO, LOGO NÓS DITAMOS AS REGRAS;
NÃO ACEITAMOS OPERADORAS CONCORRENTES COM AGÊNCIAS; OPERADORAS VENDEM PARA AGÊNCIAS, E NÃO ABREM MÚLTIPLAS LOJAS, PARA VENDER DIRETAMENTE AO CLIENTE;
NÃO ACEITAMOS RELATÓRIO SEMANAL BSP/IATA — ONERA OS CUSTOS, E DIMINUI A PRODUTIVIDADE;
NÃO ACEITAMOS COMPANHIAS AÉREAS EM CONCORRÊNCIA DESLEAL PELA INTERNET — PODE ATÉ VENDER DIRETO AO CLIENTE, MAS EM CONDIÇÕES IGUAIS DE TARIFAS E BENEFÍCIOS;
NÃO ACEITAMOS 6% DE COMISSÃO - VOLTEMOS AO MÍNIMO DOS 9%, PARA VOLTAR A DISCUTIR O ASSUNTO;
NÃO ACEITAMOS NÃO TER NOSSO OFÍCIO RECONHECIDO COMO PROFISSÃO - NÃO SOMOS PROSTITUTAS, QUE NÃO RECOLHEM UM ÚNICO CENTAVO DE IMPOSTOS. ESTAS SÃO DEVIDAMENTE RECONHECIDAS E REPRESENTADAS. EXIGIMOS AGILIDADE NO CONGRESSO, POIS NÓS SIM, GERAMOS RECEITA AOS COFRES PÚBLICOS, E MUITA !
Isso só para começar. Isoladamente, eu sou praticamente nada no movimento de operadoras e companhias aéreas. Sendo insignificante, sou apenas mais um gritando no vazio. INFELIZMENTE, MEUS COLEGAS DE OFÍCIO SE ESQUECEM QUE UNIDOS, REPRESENTAMOS MAIS DE 75 % DO FATURAMENTO DOS QUE SE DIZEM NOSSOS "PARCEIROS"... SÃO CONCORRENTES, E NEM ESCODEM MAIS ISSO. Sejam eles operadores ou companhias aéreas. É PRECISO DEIXAR CLARO, QUE SE NÃO NOS OUVIREM E DEIXÁ-LOS POR CONTA PRÓPRIA, SÃO ELES POUCOS NUMERICAMENTE REPRESENTADOS, QUE IRÃO DEIXAR DE FATURAR E, TALVEZ ATÉ QUEBRAR. SOMOS NÓS QUE GERAMOS A RECEITA DA QUAL ELES SOBREVIVEM.
FAÇAMOS QUE FIQUE CLARO, QUE A PALAVRA "PARCERIA" É UM CAMINHO DE DUAS MÃOS, E NÃO APENAS UNS POUCOS DETERMINANDO, E NÓS, A IMENSA E ABSOLUTA MAIORIA, OBEDECENDO PLACIDAMENTE. ELES LUCRANDO E NÓS NOS VIRANDO PARA SOBREVIVER.
AGENTE DE VIAGENS, FAÇA-SE OUVIR E REPRESENTAR! A HORA DA UNIÃO E DE AÇÃO É JÁ! RESPEITEM O SEU TRABALHO!
Luiz Fernando Mury Medeiros, da Mury Tours, e Marcelo Jones Guimarães, da Palmitur”.
Fonte: PANROTAS
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br
A quem interessa a quebra da VARIG
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