VARIG. Histórias de como os aviões ficaram na pista

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jambock
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VARIG. Histórias de como os aviões ficaram na pista

Mensagem por jambock »

Meus prezados:
Histórias de como os aviões ficaram na pista
Depois da II Guerra Mundial, em 1945, a Varig estava em sérias dificuldades financeiras. O então presidente Ruben Berta teve então a idéia de criar a Fundação dos Funcionários da Varig.
Os acionistas foram convencidos a doar 50% das ações que tinham da empresa mais uma quantia próxima ao valor desses papéis para dar início a nova entidade.
O objetivo da fundação, inspirada nas idéias progressistas da encíclica "Rerum Novarum", era prover benefícios aos funcionários, mas também ajudou a capitalizar a empresa naquele período difícil. A sedutora proposta de que os funcionários, a partir de então, seriam também "donos" da Varig aglutinou os colaboradores em torno da empresa, estabelecendo o espírito de grupo que se popularizaria ao longo do século passado e que até hoje encontra adeptos fervorosos: o "variguiano", aquele que ama a empresa como se a corporação fosse de fato sua própria família.
Estrutura gerou jogo de disputa pelo poder
A estrutura montada, contudo, fomentou, aos poucos, um feroz jogo de disputa pelo poder dentro da empresa, que culminou em sucessivas más administrações, repletas de casos de desperdício e decisões equivocadas. Um funcionário aposentado que esteve por 35 anos na empresa conversou com ZH na sexta-feira e contou alguns casos que ocorreram ao longo da história da companhia. O relato é apenas parte de uma trajetória também afetada por problemas regulatórios, instabilidade macroeconômica e omissão de governos, que se materializam na dívida de R$ 8,4 bilhões e no atual quadro de insolvência da empresa.
Relatos de vôo
As facções internas
No início da década de 60, com a compra da Real, uma empresa maior do que a Varig, mas que não tinha aviões a jato, criou-se uma dissidência dentro da companhia. Os funcionários da Real eram conhecidos como "os calças pretas". Variguianos e calças pretas nunca se misturaram. A mesma situação que viria a oocrrer na época da aquisição da Cruzeiro.
O jogo político
As facções faziam todos os tipos de arranjos, a maior parte deles movidos pela vaidade. Até hoje, trocas de presidentes permanecem sem explicação, como, por exemplo, foi a saída de Fernando Pinto, hoje na TAP. O executivo havia reduzido a dívida e diminuído a folha da companhia, mas foi destituído do cargo. Uma das razões seria justamente seu combate aos desperdícios e privilégios na empresa.
As decisões equivocadas
A maior parte dos presidentes da Varig resultou de conchavos no colégio deliberante da Fundação Ruben Berta e não sabia como gerir uma empresa aérea. Um exemplo: no início dos anos 80, a Boeing, com problemas de caixa, ofereceu três Boeings 747. A Varig os comprou intempestivamente. Os aviões ficaram 11 meses parados no hangar. Não havia demanda para as aeronaves.
O erro que salvou
No início da década de 90, a empresa iniciou uma renovação de frota, in- corporando MD-11 e 747-400, tirando de linha 10 DC-10 em condições de uso, que ficaram parados nos hangares. Houve recessão no setor, após a primeira guerra do Golfo. A Varig entrou em mais um período de crise, e três 747-400 e seis 767 foram retomados por empresas de leasing. Se não fossem os velhos DC-10, muitos apostam que a empresa poderia ter parado.
As terceirizações amigas
Quando começou a era das terceirizações nas companhias aéreas, nos anos 90, muitos serviços, como catering (serviço de bordo), por exemplo, foram passados para empresas criadas especialmente para esse caso e dirigidas por gente de dentro da própria Varig. Em outras situações, os serviços eram terceirizados, mas as pessoas do setor extinto, realocadas, dentro do espírito paternalista da empresa.
fonte: jornal "Zero Hora" 9 abr 2006
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br
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