Varig pode parar amanhã sem dinheiro até para o combustível

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Marcelo Areias
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Varig pode parar amanhã sem dinheiro até para o combustível

Mensagem por Marcelo Areias »

Varig pode parar amanhã sem dinheiro até para o combustível

Mariana Mazza
Do Correio Braziliense

O setor aéreo pode perder mais uma empresa neste sábado. As próximas horas são decisivas para o futuro da Varig, que corre o risco de deixar de levantar vôo já neste fim de semana. O futuro imediato da companhia está nas mãos do governo, principalmente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). “Ou a Varig aproveita essas 48 horas para dizer que vai investir na criação de uma ‘nova Varig’, ou a empresa acabou”, disse ontem o coordenador da associação Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), Márcio Marsillac, ao Correio.

A Infraero pretende começar nesta quinta-feira a cobrança diária das taxas de operação obrigatórias para o uso dos aeroportos por parte da Varig. A atitude seria o golpe de morte para a empresa, que já foi a maior companhia aérea da América Latina na década de 90. Com um balanço negativo em R$ 778 milhões em 2005, a Varig iniciou o ano sem um tostão em caixa para pagar sequer os serviços básicos para a continuidade dos vôos, como o combustível vendido pela BR Distribuidora e que já é cobrado antecipadamente.

Na última reunião de credores teve início a mais nova manobra para tentar manter a empresa operando. Os funcionários, encabeçados pela TGV, elegeram a consultoria americana Alvarez & Marsal como gestora do plano de recuperação extrajudicial da aérea. A análise prévia da situação financeira da Varig feita pelos consultores chegou à conclusão taxativa de que a companhia perdeu, no momento, a capacidade de atrair investidores para se recuperar. De acordo com o levantamento da Alvarez & Marsal, a Varig precisa de um plano emergencial para voltar, primeiramente, a operar no azul. Somente após isso é possível pensar em recuperação.

O impasse é que um dos pontos fundamentais do plano prevê o alongamento do prazo de cobrança das taxas por parte da Infraero e das cotas de combustíveis por parte da BR Distribuidora. A diretoria da Infraero, por sua vez, já demonstrou que está no limite da ilegalidade ao permitir que a Varig continue funcionando mesmo sem pagar o que deve. O Tribunal de Contas da União (TCU) exigiu que a estatal volte a fazer as cobranças, o que deveria acontecer ainda hoje.

Ontem, diversos membros do governo reuniram-se com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para debater a questão. Depois de quatro horas de discussões, Dilma saiu do encontro para participar da cerimônia de entrega das obras de restauração do Palácio da Alvorada. E nenhuma decisão foi anunciada. Em contrapartida ao alongamento do início da cobrança, os funcionários se dispõem a apoiar um corte de 2,9 mil vagas e redução salarial de até 30% da folha de pessoal remanescente.

Ao longo da década de 90, a Varig conseguiu galgar o mais alto posto no ranking das empresas aéreas brasileiras (veja quadro). Mas também acumulou dívidas robustas que colocaram a companhia em uma situação inimaginável uma década atrás. Atualmente, a Varig possui um patrimônio líquido negativo de R$ 7 bilhões.

Proposta
A Ocean Air, companhia aérea do empresário German Eframovich, apresentou proposta de desembolso de US$ 80 milhões para assumir a Varig por seis meses. Nesse período, uma empresa poderia transportar passageiros da outra.

A Ocean Air ganharia autorização para usar as rotas, os espaços e horários reservados para a Varig nos aeroportos. A Ocean Air também pagaria as contas da Varig por seis meses, excluindo as dívidas antigas. Ao final do período, a parceria seria desfeita e a Ocean Air teria o direito de ficar com no mínimo 10% das linhas e dos horários reservados nos aeroportos que hoje pertencem à Varig. A segunda proposta é mais modesta. A Ocean Air assumiria as rotas na Região Sul consideradas antieconômicas da Varig.
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Marcelo Areias
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