Preço alto é o maior problema
Estado de Minas - 10/04/2005
O preço elevado das passagens aéreas e a pouca opção de rotas são as principais reclamações dos clientes dos vôos regionais. Montes Claros, por exemplo, é servida por duas companhias aéreas: a Total Linhas Aéreas, que faz a linha Montes Claros/Belo Horizonte; e a OceanAir, com vôos diretos para São Paulo (com escala em Ipatinga) e Salvador (escala em Vitória da Conquista).
Os passageiros reclamam do fato de apenas uma empresa operar na rota Montes Claros/Belo Horizonte e do alto preço da passagem no trecho: R$ 275, incluindo a taxa de embarque. A Varig/Rio-Sul atuou na mesma rota até novembro do ano passado, quando desativou sua base na cidade, para conter despesas. Quem não pode pagar passagem aérea, tem que se arriscar na esburacada BR-135, que liga Montes Claros à capital (427 quilômetros).
O presidente da Associação Comercial e Industrial (ACI) de Montes Claros, Jamil Habib Curi, afirma que tentou levar outras empresas aéreas para a cidade. Uma das companhias procuradas, informou, foi a Gol. Segundo Curi, a empresa fez proposta ao DAC de um vôo noturno, com o preço do bilhete no trecho entre BH e Montes Claros na faixa de R$ 120. A Gol está aguardando resposta do DAC.
"Se viajasse de carro, gastaria quase um dia para vir e outro para voltar" Walter Moura, engenheiro, sobre as viagens a negócios que precisa fazer entre BH e Uberlândia Na região Centro-Oeste do Estado, o Aeroporto Municipal Brigadeiro Antônio Cabral, em Divinópolis, foi reformado, com asfaltamento da pista de quase 1,6 mil metros e instalação de sinalização para tráfego noturno de aeronaves. Atualmente, no entanto, a média de uso é de um avião por dia.
Construído em 1988, o aeroporto já teve linhas comerciais. Mas atualmente apenas aviões particulares usam a pista para levantar vôo. Duas oficinas, uma de painéis e outra de pintura, ajudam a aumentar o movimento, sem grandes impactos no número final. “Há dias em que não temos movimento algum aqui. Nos fins de semana vem mais gente, como paraquedistas e o pessoal de ultraleves. A média é de um avião por dia”, afirma o controlador de vôo Claúdio Alves Pereira. Apesar do que o cargo sugere, Pereira passa mais parte do tempo cuidando da limpeza e do jardim do que verificando a pista.
Apesar da pista boa, a sede do aeroporto teria que passar por reformas para atender à demanda, no caso de linha aérea. Existem oito bancos de pedra, com capacidade para, no máximo, quatro pessoas em cada. Eles estão do lado de fora, em uma espécie de varanda que dá acesso à pista. Ou seja, em dias de chuva, os passageiros terão que esperar dentro do apertado imóvel, com espaço de duas salas pequenas. Dentro, há apenas algumas cadeiras de plástico, como as usadas em bares.
< Análise da notícia - O avanço dos jatos comerciais no fim dos anos 50 teve o efeito colateral de banir do espaço aéreo as aeronaves de pequeno porte, como os velhos bimotores DC-3, da Panair, Nacional e Real, fizeram, durante anos, a ligação de dezenas de pequenas cidades com Belo Horizonte, Rio e São Paulo. Serviço de inestimável valor que, agora, volta a ser possível, com o desenvolvimento de modernos aviões de médio porte, mais econômicos e mais acessíveis. É fundamental apoiar iniciativas destinadas a dotar nossos pólos regionais de mais esse fator de infra-estrutura e a baratear as tarifas, rompendo o círculo vicioso que se fecha com a baixa ocupação dos assentos.
-
Preço alto é o maior problema
Moderador: Moderadores
Regras do fórum
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
Prezado MARR,
Sua análise está correta, porém o que acontece nas empresas aéreas regionais é a mudança de foco. Elas começam a crescer e perdem o foco, indo disputar outros mercados, indo para linhas de alto indice, tornando assim uma empresa nacional. Isso faz com que o interior fique desprovido de linhas, vide a Rio Sul que antes de ser absolvida completamente pela Varig, tinha mudado o foco das linhas mais do interior.
Sua análise está correta, porém o que acontece nas empresas aéreas regionais é a mudança de foco. Elas começam a crescer e perdem o foco, indo disputar outros mercados, indo para linhas de alto indice, tornando assim uma empresa nacional. Isso faz com que o interior fique desprovido de linhas, vide a Rio Sul que antes de ser absolvida completamente pela Varig, tinha mudado o foco das linhas mais do interior.
Não só a Rio Sul, mas a TAM e a TABA, que nasceram para operar no interior do país, servindo áreas determinadas e recebendo subsídios para isso.rick escreveu:Prezado MARR,
Sua análise está correta, porém o que acontece nas empresas aéreas regionais é a mudança de foco. Elas começam a crescer e perdem o foco, indo disputar outros mercados, indo para linhas de alto indice, tornando assim uma empresa nacional. Isso faz com que o interior fique desprovido de linhas, vide a Rio Sul que antes de ser absolvida completamente pela Varig, tinha mudado o foco das linhas mais do interior.
Para se ter uma idéia, no começo dos 80, mais de 200 cidades eram atendidas por linha aérea regular. Porém com a desregulamentação ocorrida em 1992, as empresas que foram criadas para operarem vôo regionais resolveram mudar o seu foca para mercados mais competitivos e em linhas de maior densidade e também com aeronaves maiores.
A Taba trouxe os F100, a a exemplo da TAM, e depois em uma tentativa frustrada arrendou, da Air Vias, um 727-200. O fim dele todos nós conhecemos.
A TAM se deu bem, por vários fatores, a exemplo da Rio Sul e da Nordeste, quando foi absorvida pelo Grupo Varig.
E o que se viu, desde 1992, é que o número de cidades atendidas foi só diminuindo. Houve uma pequena melhora em 1996, com a explosão de várias empresas regionais, como a Passaredo, a Presidente, a Penta, Rica, entre outras, porém, em 1999, com a desvalorização do real e as mudanças na política de distribuição da Suplementação tarifária, o que se viu foi uma queda acentuada de cidades servidas por linha aérea regular, chegando nas atuais 125 (em redução).
A aviação regional é essencial para o país, porém o Governo precisa fazer a sua parte e não basta chegar e dizer que isso é solução de mercado porque nós sabemos que não é.
Enquanto não se define uma política clara de incentivo à aviação regional, o que nós vamos continuar assistindo são empresas que se usam desse setor como um "trampolim" para alçarem vôo mais altos e automaticamente abandonando o inteior do país.
E atrás de números que mostram o crescimento da aviação regional, crescimento esse isolado e particularizado a algumas empresas, está um setor falido que se mantém no ar com a esperança de seus dirigentes de UM DIA esse segmento ter a atenção que sempre mereceu.
Abraços
Velásquez


