BRASIL-USA: intercâmbio entre pilotos de provas
Enviado: Sáb Abr 29, 2006 00:05
Meus prezados:
Vale Paraibano 23 Abril 2006
Equipe dos EUA faz exercícios na escola de piloto de provas do CTA
Grupo norte-americano fará testes no local onde o astronauta Marcos Pontes se formou piloto de elite.
No início de maio, militares da US Navy Test Pilot School, a escola de pilotos de provas da Marinha dos Estados Unidos, realizam exercícios aéreos na escola onde o astronauta Marcos César Pontes se tornou piloto de elite, em São José dos Campos.
Pontes fazia parte da Divisão de Ensaios em Vôo do CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial) --atual Grupo Especial de Ensaios em Vôo-- quando foi selecionado para o curso de formação de astronauta, em 1998.
Na avaliação do comandante do Grupo, o tenente-coronel Geraldo Curcio Neto, os pré-requisitos para que um piloto militar se torne piloto de provas são muito parecidos com os atributos dos astronautas.
Os perfis se assemelham, inclusive no aspecto emocional, por se tratar de uma atividade de alto risco, segundo o comandante. O CTA forma a sua própria "mão-de-obra", garantindo o suporte necessário à atividade de ensaio em vôo.
No caso da aviação militar, além de comprovar a segurança da aeronave, os ensaios em vôo visam comprovar se o avião é capaz de cumprir a missão para a qual foi projetado.
A vinda dos pilotos da Marinha norte-americana é resultado de um convênio com o CTA. Em troca, os pilotos brasileiros fazem o mesmo exercício nos EUA, acumulando experiência de vôo na maior variedade de aviões possível.
O grupo de cinco pilotos desembarca em São José no próximo dia 8 para dez dias de exercícios aéreos. "O intercâmbio significa confiança e respeito mútuos", disse Curcio Neto.
Em 2004, a "Society of Experimental Test Pilots" (SETP), com sede na Califórnia, EUA, oficializou o reconhecimento internacional à escola de pilotos de provas do CTA.
Apenas outras quatro no mundo - na Inglaterra, França e duas nos Estados Unidos - são reconhecidas pela sua excelência na formação de pilotos nessa categoria. Há centros de treinamento também na Rússia e na Índia, mas que ainda não conseguiram renome internacional.
A rotina dos pilotos que ingressam no Grupo de Ensaios em Vôo começa às 7h30 e oficialmente se estende até as 17h15. "Mas, é muito comum ver as luzes aqui acesas até tarde da noite e o pessoal estudando para as provas ou produzindo relatórios", disse Curcio Neto.
As aulas acontecem no período da manhã e as tardes são reservadas para os vôos. Durante o curso, que tem duração de um ano, os pilotos cumprem 100 horas de vôo em pelo menos 15 aeronaves diferentes.
Seleção - A seleção é feita entre os pilotos de caça pelo fato de que a maior parte das tarefas são executadas em aviões desse tipo, como parte, por exemplo, de projetos de modernizações das aeronaves da FAB.
Além de pilotos de provas, de avião e helicópetro, o CTA também forma engenheiros de ensaios em vôo e técnicos instrumentadores. Pilotos e engenheiros aprendem a planejar e executar a atividade de ensaio, "processo que envolve planejamento, coordenação, execução e a análise dos dados coletados nos vôos", disse Curcio Neto.
O CTA já formou pilotos de provas para a Marinha, Exército e para a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), que necessita desse tipo de profissional para o desenvolvimento de aeronaves.Os técnicos instrumentadores, que na maioria das vezes são sargentos, recebem treinamento para instalar os equipamentos de medição de dados a bordo da aeronave.
O astronauta e o atual comandante do Grupo de Ensaios em Vôo se conheceram na Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP), onde Pontes se formou um ano antes. Eles voltaram a se encontrar na escola de piloto de provas.
"Quando ingressei, em 1998, o Pontes fazia parte da divisão e cursava mestrado nos Estados Unidos. Ele nos visitou algumas vezes e voamos juntos", disse.
Escola faz país economizar R$ 5 milhões.
O Grupo Especial de Ensaios em Vôo mantido pelo CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial), em São José dos Campos, também ajuda o país a economizar divisas.
Em média, são formados por ano seis pilotos de provas e seis engenheiros de ensaios em vôo para os quadros da própria instituição.
"O fato de termos uma escola no Brasil, bem estruturada e reconhecida internacionalmente é uma economia para o país na medida em que enviar para treinamento no exterior um grupo desse porte custaria de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões", disse o comandante do Grupo Especial, o tenente-coronel Geraldo Curcio Neto.
Os ensaios em vôo são parte do processo para a emissão do certificado de homologação de aeronaves, que também é executado pelo CTA. O documento atesta que a aeronave atende aos padrões de segurança e demais requisitos do projeto.
Os certificados emitidos no Brasil, em especial das aeronaves desenvolvidas pela Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), de São José dos Campos, são reconhecidos nos Estados Unidos e Europa.
"Os pilotos brasileiros estão no mesmo nível dos norte-americanos e isso ajuda no reconhecimento internacional da homologação feita no Brasil", disse Curcio Neto.
Perfil - Os pilotos de provas são dotados de grande capacidade intelectual, habilidade psicomotora (reflexo e coordenação), entre outras qualidades, segundo Curcio Neto.
O controle emocional também é fundamental para enfrentar as situações de risco e controlar o medo. "O piloto de provas assim como o astronauta precisa estar preparado para enfrentar situações inesperadas", disse o comandante do Grupo Especial de Ensaios em Vôo.
Pioneiros derrubaram os mitos.
Na sala do comandante do Grupo Especial de Ensaios em Vôo, uma miniatura do avião-foguete Bell X-1 sobre a mesa de reuniões mantém vivo o espírito da "aventura" de pilotar aviões experimentais.
A miniatura é autografada por "Chuck" Yeager, o primeiro piloto no mundo a quebrar a barreira do som, em 1947, nos EUA. Charles Elwood Yeager realizou a façanha no âmbito de um programa de pesquisas do governo norte-americano.
"Na época, acreditava-se que a velocidade supersônica poderia desintegrar uma pessoa. As mortes de pilotos de testes eram muito frequentes", disse o comandante do Grupo Geraldo Curcio Neto.
No início da corrida espacial, os astronautas eram recrutados entre os melhores pilotos de teste e caça. Hoje, há civis entre os astronautas, entre eles cientistas.
Durante os vôos, equipes em terra monitoram os dados enviados pela aeronave e informam o piloto sobre situações limite. "É uma atividade de risco. A grande diferença é que aprendemos a controlar os riscos".
Em dezembro de 2003, o avião-foguete SpaceShipOne, projetado pela Scales Composites, dos EUA, repetiu o feito do X-1 pilotado por Yeager. Esse foi o primeiro projeto desenvolvido na iniciativa privada e sem recursos governamentais.
Yeager repete o vôo supersônico todos os anos, atualmente em companhia de outro piloto.
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br
Vale Paraibano 23 Abril 2006
Equipe dos EUA faz exercícios na escola de piloto de provas do CTA
Grupo norte-americano fará testes no local onde o astronauta Marcos Pontes se formou piloto de elite.
No início de maio, militares da US Navy Test Pilot School, a escola de pilotos de provas da Marinha dos Estados Unidos, realizam exercícios aéreos na escola onde o astronauta Marcos César Pontes se tornou piloto de elite, em São José dos Campos.
Pontes fazia parte da Divisão de Ensaios em Vôo do CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial) --atual Grupo Especial de Ensaios em Vôo-- quando foi selecionado para o curso de formação de astronauta, em 1998.
Na avaliação do comandante do Grupo, o tenente-coronel Geraldo Curcio Neto, os pré-requisitos para que um piloto militar se torne piloto de provas são muito parecidos com os atributos dos astronautas.
Os perfis se assemelham, inclusive no aspecto emocional, por se tratar de uma atividade de alto risco, segundo o comandante. O CTA forma a sua própria "mão-de-obra", garantindo o suporte necessário à atividade de ensaio em vôo.
No caso da aviação militar, além de comprovar a segurança da aeronave, os ensaios em vôo visam comprovar se o avião é capaz de cumprir a missão para a qual foi projetado.
A vinda dos pilotos da Marinha norte-americana é resultado de um convênio com o CTA. Em troca, os pilotos brasileiros fazem o mesmo exercício nos EUA, acumulando experiência de vôo na maior variedade de aviões possível.
O grupo de cinco pilotos desembarca em São José no próximo dia 8 para dez dias de exercícios aéreos. "O intercâmbio significa confiança e respeito mútuos", disse Curcio Neto.
Em 2004, a "Society of Experimental Test Pilots" (SETP), com sede na Califórnia, EUA, oficializou o reconhecimento internacional à escola de pilotos de provas do CTA.
Apenas outras quatro no mundo - na Inglaterra, França e duas nos Estados Unidos - são reconhecidas pela sua excelência na formação de pilotos nessa categoria. Há centros de treinamento também na Rússia e na Índia, mas que ainda não conseguiram renome internacional.
A rotina dos pilotos que ingressam no Grupo de Ensaios em Vôo começa às 7h30 e oficialmente se estende até as 17h15. "Mas, é muito comum ver as luzes aqui acesas até tarde da noite e o pessoal estudando para as provas ou produzindo relatórios", disse Curcio Neto.
As aulas acontecem no período da manhã e as tardes são reservadas para os vôos. Durante o curso, que tem duração de um ano, os pilotos cumprem 100 horas de vôo em pelo menos 15 aeronaves diferentes.
Seleção - A seleção é feita entre os pilotos de caça pelo fato de que a maior parte das tarefas são executadas em aviões desse tipo, como parte, por exemplo, de projetos de modernizações das aeronaves da FAB.
Além de pilotos de provas, de avião e helicópetro, o CTA também forma engenheiros de ensaios em vôo e técnicos instrumentadores. Pilotos e engenheiros aprendem a planejar e executar a atividade de ensaio, "processo que envolve planejamento, coordenação, execução e a análise dos dados coletados nos vôos", disse Curcio Neto.
O CTA já formou pilotos de provas para a Marinha, Exército e para a Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), que necessita desse tipo de profissional para o desenvolvimento de aeronaves.Os técnicos instrumentadores, que na maioria das vezes são sargentos, recebem treinamento para instalar os equipamentos de medição de dados a bordo da aeronave.
O astronauta e o atual comandante do Grupo de Ensaios em Vôo se conheceram na Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP), onde Pontes se formou um ano antes. Eles voltaram a se encontrar na escola de piloto de provas.
"Quando ingressei, em 1998, o Pontes fazia parte da divisão e cursava mestrado nos Estados Unidos. Ele nos visitou algumas vezes e voamos juntos", disse.
Escola faz país economizar R$ 5 milhões.
O Grupo Especial de Ensaios em Vôo mantido pelo CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial), em São José dos Campos, também ajuda o país a economizar divisas.
Em média, são formados por ano seis pilotos de provas e seis engenheiros de ensaios em vôo para os quadros da própria instituição.
"O fato de termos uma escola no Brasil, bem estruturada e reconhecida internacionalmente é uma economia para o país na medida em que enviar para treinamento no exterior um grupo desse porte custaria de R$ 5 milhões a R$ 6 milhões", disse o comandante do Grupo Especial, o tenente-coronel Geraldo Curcio Neto.
Os ensaios em vôo são parte do processo para a emissão do certificado de homologação de aeronaves, que também é executado pelo CTA. O documento atesta que a aeronave atende aos padrões de segurança e demais requisitos do projeto.
Os certificados emitidos no Brasil, em especial das aeronaves desenvolvidas pela Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), de São José dos Campos, são reconhecidos nos Estados Unidos e Europa.
"Os pilotos brasileiros estão no mesmo nível dos norte-americanos e isso ajuda no reconhecimento internacional da homologação feita no Brasil", disse Curcio Neto.
Perfil - Os pilotos de provas são dotados de grande capacidade intelectual, habilidade psicomotora (reflexo e coordenação), entre outras qualidades, segundo Curcio Neto.
O controle emocional também é fundamental para enfrentar as situações de risco e controlar o medo. "O piloto de provas assim como o astronauta precisa estar preparado para enfrentar situações inesperadas", disse o comandante do Grupo Especial de Ensaios em Vôo.
Pioneiros derrubaram os mitos.
Na sala do comandante do Grupo Especial de Ensaios em Vôo, uma miniatura do avião-foguete Bell X-1 sobre a mesa de reuniões mantém vivo o espírito da "aventura" de pilotar aviões experimentais.
A miniatura é autografada por "Chuck" Yeager, o primeiro piloto no mundo a quebrar a barreira do som, em 1947, nos EUA. Charles Elwood Yeager realizou a façanha no âmbito de um programa de pesquisas do governo norte-americano.
"Na época, acreditava-se que a velocidade supersônica poderia desintegrar uma pessoa. As mortes de pilotos de testes eram muito frequentes", disse o comandante do Grupo Geraldo Curcio Neto.
No início da corrida espacial, os astronautas eram recrutados entre os melhores pilotos de teste e caça. Hoje, há civis entre os astronautas, entre eles cientistas.
Durante os vôos, equipes em terra monitoram os dados enviados pela aeronave e informam o piloto sobre situações limite. "É uma atividade de risco. A grande diferença é que aprendemos a controlar os riscos".
Em dezembro de 2003, o avião-foguete SpaceShipOne, projetado pela Scales Composites, dos EUA, repetiu o feito do X-1 pilotado por Yeager. Esse foi o primeiro projeto desenvolvido na iniciativa privada e sem recursos governamentais.
Yeager repete o vôo supersônico todos os anos, atualmente em companhia de outro piloto.
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br