Momentos decisivos na novela da Varig

Notícias e artigos retirados da mídia em geral.

Moderador: Moderadores

Regras do fórum
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
Avatar do usuário
Marcelo Areias
MASTER
MASTER
Mensagens: 3373
Registrado em: Seg Dez 20, 2004 08:15
Localização: Jundiaí-SP

Momentos decisivos na novela da Varig

Mensagem por Marcelo Areias »

Momentos decisivos na novela da Varig
InvestNews

17 de Abril de 2006 - Entre atônita e solidária, a sociedade brasileira vem assistindo os momentos mais dramáticos dos quase 79 anos da Varig. Como numa telenovela, a cada dia novos fatos tentam alterar o destino que muitos - inclusive especialistas no setor - já dão como certo: a falência da empresa aérea que por décadas foi a líder de mercado no País. Esta semana promete momentos decisivos no encaminhamento do drama protagonizado pela Varig.
Hoje, a proposta da Varig Log para compra da Varig deve ser submetida à apreciação do juiz Luis Roberto Ayoub, da Vara Empresarial do Rio de Janeiro, responsável pelo processo de recuperação judicial da empresa. Ayoub também deve apreciar a liminar concedida na semana passada pela Justiça do Trabalho do Rio à Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), entidade formada pelos funcionários. No recurso, está prevista a criação de uma filial da Varig que ficaria com a parte operacional da empresa, de maneira a gerar lucro e valor de mercado para a companhia. O plano de recuperação judicial da Varig, aprovado em dezembro de 2005, prevê a estruturação de uma filial da companhia, que seria alienada pelo melhor preço em leilão judicial. Caso o juiz dê seu aval a uma ou a ambas as propostas, elas serão submetidas à aprovação dos credores, em assembléia ainda a ser marcada.

O coordenador do TGV, comandante Márcio Marsillac, manifestou a disposição dos trabalhadores em não aceitar a nova proposta da Varig Log. A ex-subsidiária da Varig ofereceu pela empresa US$ 350 milhões no início deste mês e elevou o valor para US$ 400 milhões na semana passada. "Se essa proposta estiver estruturada como a primeira, também será inaceitável, porque há um erro ao se dizer que a Varig Log está oferecendo US$ 400 milhões pela a Varig", disse.

Os trabalhadores da Varig mantêm o interesse em capitalizar a companhia através da poupança previdenciária no Aerus. Por isso, o TGV deve apresentar hoje um recurso administrativo na Secretaria de Previdência Complementar (SPC) contra a intervenção e a liquidação dos planos da empresa aérea no fundo de pensão. "A principal questão é a liquidação, que nos pareceu precipitada. A situação do Aerus na quarta-feira (dia em que ocorreu a intervenção) não era em nada diferente do que já existia uma semana antes", diz Júlio Barreto, advogado do escritório que representa o TGV.

A liquidação do fundo prejudica o plano do TGV, que conseguiu na noite de terça-feira uma liminar na 14ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro para alienação dos bens da empresa em prol dos trabalhadores - os ativos separados formariam a Varig Operacional. A proposta do TGV se baseia em uma espécie de leilão, no qual o lance mínimo seria de R$ 500 milhões em dinheiro ou a troca de créditos a receber da Varig por Debêntures de Participação em Lucros (DPLs), nos quais os credores interessados em investir na companhia poderiam receber estes papéis até o valor de R$ 500 milhões. À medida que a Varig Operacional desse lucro, pagaria estes papéis.

Mas a oferta esbarra na liquidação dos planos, já que os trabalhadores conseguiriam capitalizar a empresa através de sua poupança previdenciária, bloqueada desde quarta-feira. "A intervenção do Aerus prejudica um pouco o plano, mas não o inviabiliza", afirma Paulo Rabello de Castro, economista responsável pela criação do plano do TGV.

O comandante Márcio Marsillac ressaltou que o arresto dos bens para futura alienação pela Justiça tem como objetivo apenas acelerar a implementação do plano de recuperação judicial. Embora reforce que a recuperação da companhia não depende de recursos públicos, Marsillac revelou que uma comissão de parlamentares - encabeçada pela deputada federal Jandira Feghali (PC do B/RJ) - e trabalhadores tem agendada uma reunião hoje no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para discutir possibilidades de financiamento à Varig Operacional.

Na quarta-feira passada, uma comissão de sindicalistas foi recebida na sede da Varig por executivos da empresa e da consultoria Alvarez & Marsal. A companhia apresentou duas propostas para redução de custos com os funcionários. Na primeira, seriam demitidos 2,9 mil pessoas, com redução dos salários dos demais funcionários em 30%. Pela outra opção, haveria redução de jornada de trabalho e de todos os salários em 50%. Uma reunião marcada para hoje deverá escolher uma proposta para ser levada às assembléias de trabalhadores.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) reconheceu semana passada que a Varig opera dentro da "normalidade", já que todos os cancelamentos de vôos têm sido comunicados à agência com antecedência. Mas, na vida real, o público não vê nada de normal na situação. Já há preocupação entre os agentes de viagem sobre a continuidade das operações da empresa. Hoje, quem compra uma passagem já não o faz com a Varig por medo de ficar no chão. "A agonia pública da empresa tem causado enormes prejuízos à imagem da companhia e ao valor da sua marca", observa o presidente da São Paulo Turismo e ex-Ministro dos Esportes e Turismo, Caio Luiz de Carvalho. "Afinal, o negócio da aviação se baseia na confiabilidade", completa. As autoridades do Reino Unido já alertaram os turistas sobre a situação da companhia brasileira que opera 22 rotas para o exterior. Seja qual for o destino da Varig, várias decisões que o definirão devem ser tomadas ainda nesta semana. Aguardem os próximos capítulos.

kicker: Se a salvação da companhia não vier logo, o desgaste que a marca vem sofrendo poderá ser fatal para sua continuidade

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 10)(Andréa Ciaffone, Rafael Rosas e Agência Brasil)
_________________
Marcelo Areias
Responder