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Trabalhadores da Varig recorrem ao ministro do Trabalho

Enviado: Seg Abr 10, 2006 13:35
por Marcelo Areias
Trabalhadores da Varig recorrem ao ministro do Trabalho


Da FolhaNews

Os funcionários da Varig vão pedir ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que seja mediador nas negociações que envolvem a companhia e, principalmente, na questão de redução de pessoal prevista no plano de recuperação da Varig aprovado em dezembro passado.

Participam de uma audiência nesta terça-feira, em Brasília, representantes do Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo. Eles se reúnem com trabalhadores em terra e do Snea (Sindicato Nacional dos Aeronautas), que representa pilotos e comissários da aérea.

"O ministro acompanha a situação da Varig desde que presidiu a CUT. Nossa maior preocupação é com o corte de pessoal de 13%, previsto no plano de recuperação judicial aprovado no ano passado", diz Graziela Baggio, presidente do Snea. A Varig tem por volta de 11 mil funcionários no país e uma dívida trabalhista de cerca de R$ 150 milhões.

Os funcionários fazem manifestação, no mesmo dia da audiência com Marinho, em três aeroportos do país: Salgado Filho, em Porto Alegre, Congonhas, em São Paulo, e Santos Dumont, no Rio. A expectativa é que 80% dos funcionários participem dos protestos.

"Nossa idéia é fazer uma passeata do aeroporto de Congonhas até a Assembléia Legislativa de São Paulo para buscar apoio dos deputados à companhia", diz Ricardo Lazzarini, diretor da Apvar (associação de pilotos).

Sindicatos e associações de funcionários da Varig (de pilotos, comissários e mecânicos) têm propostas divergentes para os débitos da empresa. As associações defendem transformar as dívidas da companhia -previdenciária e trabalhista- em ações. Para os sindicatos, receber passivos trabalhistas em participação acionária deveria ser uma escolha voluntária de cada trabalhador.

"É hora de unir esforços e deixar as divergências de lado", afirma Lazzarini, da Apvar.

Crise
O governo federal deve concluir nos próximos dias um plano com possíveis soluções para a crise financeira da empresa, segundo informou na última sexta-feira a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O assunto divide opiniões. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por exemplo, declarou ser contra socorrer financeiramente a aérea e que não há recursos previstos para ajudar a Varig ou qualquer outra empresa.

A ministra não forneceu detalhes de como seria a ajuda do governo à companhia. Um dos pedidos da Varig é a concessão de prazos mais longos de pagamento de suas dívidas -especialmente com a BR Distribuidora e a Infraero, com quem trava disputa judicial por causa do pagamento de tarifas aeroportuárias.

A situação da Varig tem se agravado, segundo informou o próprio presidente da companhia, Marcelo Bottini, na semana passada, quando se cogitou uma eventual paralisação das atividades. Ele descartou, porém, a hipótese de a Varig parar, mas reconheceu problemas no caixa.

Anac (Agência Nacional de Aviação) e Infraero devem se pronunciar nesta segunda-feira sobre acordo operacional proposto entre a Ocean Air e a Varig. O acordo prevê compartilhamento de despesas e vôos -a Ocean Air entraria com as aeronaves e a Varig, com os passageiros. Ao menos 15 aviões da Varig, parados por falta de manutenção, poderiam ser usados por meio do acordo.