bwach escreveu:Acho muito estranho uma coisa relativo ao indicador de velocidade!!
O GPS do aviao nao consegue exibir na tela a velocidade do aviao no caso de uma pane no pitot??
bwach,
O GPS e o IRS têm a capacidade de medir a velocidade em relação ao solo, mas não a velocidade aerodinâmica, que depende da indicação dos tubos de pitot.
As informações que são mostradas no MFD (
Multi Function Display) vêm de várias fontes e são cruzadas entre si, permitindo, por exemplo, avaliar até a direção e a velocidade do vento. Porém, se alguma dessas informações for inválida (no caso, o tubo de pitot congelou, provavelmente por água em estado de sobrefusão), qualquer informação fornecida pelo MFP é altamente questionável.
O certo seria a tripulação pilotar manualmente o avião por atitude, observando o indicador de atitude (o horizonte), e mantendo os motores em tração de cruzeiro. Isso evitaria a entrada em atitude anormal, independente de qualquer alarme conectado com a indicação dos tubos de pitot.
Uma coisa que parece não ter sido analisada seria a formação de gelo em outras partes do avião. Se havia água em estado de sobrefusão, poderia haver congelamento nos bordos de ataque das asas e em outros pontos da aeronave, o que dificultaria o seu controle.
Tenho quase certeza de que havia água em sobrefusão, que congelaria imediatamente e muito rapidamente se encontrasse qualquer coisa no caminho que pertubasse seu equilíbrio extremamente instável. Na altitude em que a aerove estava, o gelo dentro das nuvens derreteria imediatamente em contato com os quentes tubos de pitot,e seria impossível haver água em estado líquido em temperaturas acima de zero.
Por mais que eu tenha reservas em relação às investigações francesas, desde a conhecida maracutaia da investigação do acidente do Air France 296, em 1988, na qual o DFDR foi simplesmente falsificado e a fita do CVR foi cortada no seu ponto mais crítico, acho provável que tenha havido mesmo falha humana nesse caso, pois falhas de instrumentos de voo do sistema pitot-estático não conduzem, por si só, a um acidente. É uma situação muito difícil de lidar, no entanto. Mas, se houve formação de gelo em outras partes do avião devido à água em sobrefusão, podem ter ocorrido problemas aerodinâmicos incontroláveis.
O ocorrência de gelo nas condições em que deve ter ocorrido esse acidente seria praticamente inevitável, por mais protegidos e sofisticados que fossem os tubos de pitot. Qualquer componente mecânico tem os seus limites, certo? Não acho que haja culpa dos fabricantes do avião e nem dos tubos de pitot.
É reconhecidamente difícil o radar meteorológico detectar formação de gelo em nuvens. Por vezes, a informação do radar é "enganada" pelo gelo. O radar tem capacidade de detectar água líquida, mas o gelo em cristais hexagonais tem a tendência de dispersar os ecos das microondas, impedindo-as que retornem uma boa informação para as antenas de radar do avião. Então, o eco vai se parecer como um convidativo "buraco" nas nuvens, um ótimo lugar para se passar.
Ignoro que tipo de eco no radar seria fornecido por água em sobrefusão, no entanto. Por acaso, aqui no fórum tem algum expert no assunto?
Espero ter esclarecido alguma coisa.
Grande abraço.