Alongamento da pista do Afonso Pena deve ser licitado
Enviado: Ter Mar 22, 2005 00:26
FONTE: JORNAL GAZETA DO POVO
site tudoparana.globo.com/gazetadopovo
Alongamento da pista do Afonso Pena deve ser licitado até julho
Pista curta provoca evasão de 90% das cargas do Paraná para outros terminais
Parte de um projeto para alongar a pista principal do Aeroporto Afonso Pena pode ser licitada ainda no primeiro semestre deste ano, segundo fontes ligadas a uma negociação feita entre políticos do Paraná e a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero). A primeira etapa da obra aumentaria em 450 metros o espaço destinado para pousos e decolagens.
A pista curta é um dos principais obstáculos para que o Afonso Pena atenda à demanda dos exportadores. Atualmente, cerca de 90% das mercadorias destinadas a outros países por via aérea saem de outros aeroportos, como o de Viracopos, em Campinas, e o de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, de acordo com uma pesquisa da Câmara de Logística da Federação das Indústrias do Paraná (Paranalog).
“Os técnicos da Infraero estão finalizando os estudos. As obras começam no fim do ano”, reforça Juraci Barbosa, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Curitiba, órgão ligado à prefeitura da capital.
Diversos políticos do estado, segundo ele, já conversaram sobre o assunto com o presidente da Infraero, Carlos Wilson. Em princípio, eles pediam a construção de uma terceira pista, mais longa, conforme um estudo feito na década de 1990 (veja infográfico à pág. 3). A solução sugerida por Wilson seria o aumento da pista principal já existente. A reportagem procurou a Infraero para confirmar a decisão, mas a empresa não respondeu à solicitação de informações.
“O presidente da Infraero tinha duas opções e decidiu pelo aumento da pista, que será feito em duas fases”, confirma o empresário Valmor Weiss, um dos representantes do setor empresarial envolvidos com o lobby pelas melhorias no Afonso Pena.
Duas etapas
A ampliação da pista seria feita em duas etapas, ao custo de R$ 100 milhões. A primeira fase seria licitada até julho para aumentar a pista de 2.215 metros para 2.665 metros. Além disso, ela seria alargada. O prolongamento deve ser feito na cabeceira que aponta para o centro de Curitiba – do lado esquerdo de quem observa a partir do terminal de passageiros – e não exigiria a desapropriação de terrenos. Um estacionamento vertical e um novo terminal de cargas também fazem parte do projeto, mas a Infraero não teria decidido se entram nesta etapa.
“Outros 550 metros de pista podem ser construídos depois, mas seria necessária uma previsão orçamentária para 2006. Essa segunda etapa também depende da desapropriação de alguns terrenos”, diz Juraci Barbosa. Segundo ele, o projeto da terceira pista não foi descartado pela Infraero. O aumento da pista atual daria um “respiro” até que a demanda leve à execução de novas obras. Na segunda etapa também haveria expansão na área destinada ao terminal de passageiros.
Logística
A razão mais urgente para as obras é o transporte de cargas. “Existe demanda por mais vôos na região de Curitiba, falta apenas uma estrutura compatível”, diz Mário Stamm, diretor da Paranalog. O aumento na oferta de espaço em aviões cargueiros esbarra na capacidade do aeroporto. Para decolar da pista atual, de 2.215 metros, as aeronaves não podem estar com carga completa, ou com os tanques cheios. Assim, precisam fazer escalas em outros aeroportos, o que encarece a operação e desestimula o uso do Afonso Pena.
De acordo com uma pesquisa da Paranalog, as indústrias exportadoras do estado têm de bancar um custo extra de R$ 1 milhão por mês para movimentar cargas entre as fábricas e os aeroportos em outras regiões. “Essa situação leva a tempo perdido nas estradas e risco maior”, diz o diretor da Paranalog.
No ano passado, entre janeiro e setembro, as empresas do Paraná exportaram US$ 297 milhões por via aérea, de acordo com a Paranalog. Desse total, apenas US$ 27 milhões saíram pelo Afonso Pena. O aeroporto de Viracopos escoou US$ 157 milhões em mercadorias do estado e o de Guarulhos US$ 104 milhões.
Por Guido Orgis
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Alongamento da pista do Afonso Pena deve ser licitado até julho
Pista curta provoca evasão de 90% das cargas do Paraná para outros terminais
Parte de um projeto para alongar a pista principal do Aeroporto Afonso Pena pode ser licitada ainda no primeiro semestre deste ano, segundo fontes ligadas a uma negociação feita entre políticos do Paraná e a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero). A primeira etapa da obra aumentaria em 450 metros o espaço destinado para pousos e decolagens.
A pista curta é um dos principais obstáculos para que o Afonso Pena atenda à demanda dos exportadores. Atualmente, cerca de 90% das mercadorias destinadas a outros países por via aérea saem de outros aeroportos, como o de Viracopos, em Campinas, e o de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, de acordo com uma pesquisa da Câmara de Logística da Federação das Indústrias do Paraná (Paranalog).
“Os técnicos da Infraero estão finalizando os estudos. As obras começam no fim do ano”, reforça Juraci Barbosa, presidente da Companhia de Desenvolvimento de Curitiba, órgão ligado à prefeitura da capital.
Diversos políticos do estado, segundo ele, já conversaram sobre o assunto com o presidente da Infraero, Carlos Wilson. Em princípio, eles pediam a construção de uma terceira pista, mais longa, conforme um estudo feito na década de 1990 (veja infográfico à pág. 3). A solução sugerida por Wilson seria o aumento da pista principal já existente. A reportagem procurou a Infraero para confirmar a decisão, mas a empresa não respondeu à solicitação de informações.
“O presidente da Infraero tinha duas opções e decidiu pelo aumento da pista, que será feito em duas fases”, confirma o empresário Valmor Weiss, um dos representantes do setor empresarial envolvidos com o lobby pelas melhorias no Afonso Pena.
Duas etapas
A ampliação da pista seria feita em duas etapas, ao custo de R$ 100 milhões. A primeira fase seria licitada até julho para aumentar a pista de 2.215 metros para 2.665 metros. Além disso, ela seria alargada. O prolongamento deve ser feito na cabeceira que aponta para o centro de Curitiba – do lado esquerdo de quem observa a partir do terminal de passageiros – e não exigiria a desapropriação de terrenos. Um estacionamento vertical e um novo terminal de cargas também fazem parte do projeto, mas a Infraero não teria decidido se entram nesta etapa.
“Outros 550 metros de pista podem ser construídos depois, mas seria necessária uma previsão orçamentária para 2006. Essa segunda etapa também depende da desapropriação de alguns terrenos”, diz Juraci Barbosa. Segundo ele, o projeto da terceira pista não foi descartado pela Infraero. O aumento da pista atual daria um “respiro” até que a demanda leve à execução de novas obras. Na segunda etapa também haveria expansão na área destinada ao terminal de passageiros.
Logística
A razão mais urgente para as obras é o transporte de cargas. “Existe demanda por mais vôos na região de Curitiba, falta apenas uma estrutura compatível”, diz Mário Stamm, diretor da Paranalog. O aumento na oferta de espaço em aviões cargueiros esbarra na capacidade do aeroporto. Para decolar da pista atual, de 2.215 metros, as aeronaves não podem estar com carga completa, ou com os tanques cheios. Assim, precisam fazer escalas em outros aeroportos, o que encarece a operação e desestimula o uso do Afonso Pena.
De acordo com uma pesquisa da Paranalog, as indústrias exportadoras do estado têm de bancar um custo extra de R$ 1 milhão por mês para movimentar cargas entre as fábricas e os aeroportos em outras regiões. “Essa situação leva a tempo perdido nas estradas e risco maior”, diz o diretor da Paranalog.
No ano passado, entre janeiro e setembro, as empresas do Paraná exportaram US$ 297 milhões por via aérea, de acordo com a Paranalog. Desse total, apenas US$ 27 milhões saíram pelo Afonso Pena. O aeroporto de Viracopos escoou US$ 157 milhões em mercadorias do estado e o de Guarulhos US$ 104 milhões.
Por Guido Orgis

