Aeronáutica agora avalia projeto próprio de caça
Enviado: Sex Fev 25, 2005 13:38
Aeronáutica agora avalia projeto próprio de caça
Modelo implicaria a parceria com grupo internacional e seria necessariamente liderado pela Embraer
Roberto Godoy
O novo caça de defesa aérea da aviação militar brasileira pode ser o resultado de um projeto próprio, essencialmente nacional - como deveria ter sido o Programa FX na sua versão original. Esse modelo implicaria a parceria com um grupo internacional e seria necessariamente liderado pela Embraer. A tese voltou a ser discutida "entre várias outras", segundo dois brigadeiros integrantes do Alto Comando da Aeronáutica, depois que a concorrência FX, para compra de 12 aviões por US$ 700 milhões, foi oficialmente encerrada há dois dias. O Estado antecipou em dezembro essa informação.
Contra essa solução conta o tempo. Ainda que o empreendimento fosse aprovado imediatamente, o primeiro avião de série só voaria em 2015. Mesmo sob pressão de uma eventual necessidade estratégica o prazo não poderia ser inferior a oito anos. Como os velhos MirageIIE/Br em uso atualmente serão desativados à meia-noite do dia 31 de dezembro, o vácuo decorrente vai obrigar uma solução de transição.
No primeiro momento a missão de defesa aérea será cumprida pelo F-5Br Tigre, a versão modernizada do F-5E utilizado pela FAB. O supersônico é um caça tático com alguma capacidade de interceptação. O novo radar permite detectar quatro alvos e realizar operações de tiro contra dois deles simultâneamente. O Tigre ganhou grande capacidade de processamento eletrônico, o que permite o lançamento de bombas inteligentes guiadas por laser.
O jato atua de forma integrada com estações fixas ou embarcadas de comando, vigilância e inteligência. Embora a designação do F-5Br seja a solução lógica de curto prazo, o Comando da Aeronáutica terá uma questão de cultura interna para resolver. A base do 1.º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis, é considerada o núcleo de elite e excelência da força. Ali estão os esquadrões Jaguar, equipados com os supersônicos Mirage - os melhores de seu tempo. Há uma certa resistência de conceito à incorporação do Tigre para ocupar (ainda que temporáriamente) a sofisticada base da FAB que responde pela guarda do espaço sobre Brasília e região estratégica do Sudeste.
Outra possibilidade é a compra de caças usados que possam ter sua capacidade expandida por meio da atualização tecnológica. O Ministério da Defesa recebeu ofertas concretas do grupo americano Lockheed-Martin, envolvendo a versão A/B do F-16 Falcon. Há lotes dessas aeronaves disponíveis na Holanda, na Bélgica e nos Estados Unidos. Com o aval do governo revelado ao Estado há um mês, por meio de uma manifestação do adido militar no Brasil, coronel Antonio H. Rebelo, a corporação confirma a entrega de mísseis ar-ar de alcance além do horizonte e anti-radar. Garante ainda a transferência total da tecnologia dos sistemas que venham a ser especificados no programa de revitalização. Todas as operações seriam feitas no País.
Outra possibilidade, que teria o benefício de poder utilizar toda a logística já existente para atender aos velhos MirageIIE/Br, seria a compra de um certo número de aviões da geração seguinte - o Mirage 2000 - do mesmo tipo de caça. Vários países estão colocando a venda modelos das séries iniciais, produzidas nos anos 80.
Na nota divulgada pelo Comando da Aeronáutica para seus oficiais, a decisão de encerrar o a seleção FX é creditada "a dinâmica da evolução tecnológica". Isso significa que o governo pode optar pela compra de jatos de quinta geração. Os favoritos nesse caso seriam os poderosos Rafale, franceses, que chegariam ao Brasil por meio da parceria Embraer-Dassault. O preço inicial, de US$ 100 milhões, baixou depois de uma encomenda de 196 unidades feita pelo governo francês. Cada um sai agora por US$ 70 milhões.
Fonte: O Estado de São Paulo
Modelo implicaria a parceria com grupo internacional e seria necessariamente liderado pela Embraer
Roberto Godoy
O novo caça de defesa aérea da aviação militar brasileira pode ser o resultado de um projeto próprio, essencialmente nacional - como deveria ter sido o Programa FX na sua versão original. Esse modelo implicaria a parceria com um grupo internacional e seria necessariamente liderado pela Embraer. A tese voltou a ser discutida "entre várias outras", segundo dois brigadeiros integrantes do Alto Comando da Aeronáutica, depois que a concorrência FX, para compra de 12 aviões por US$ 700 milhões, foi oficialmente encerrada há dois dias. O Estado antecipou em dezembro essa informação.
Contra essa solução conta o tempo. Ainda que o empreendimento fosse aprovado imediatamente, o primeiro avião de série só voaria em 2015. Mesmo sob pressão de uma eventual necessidade estratégica o prazo não poderia ser inferior a oito anos. Como os velhos MirageIIE/Br em uso atualmente serão desativados à meia-noite do dia 31 de dezembro, o vácuo decorrente vai obrigar uma solução de transição.
No primeiro momento a missão de defesa aérea será cumprida pelo F-5Br Tigre, a versão modernizada do F-5E utilizado pela FAB. O supersônico é um caça tático com alguma capacidade de interceptação. O novo radar permite detectar quatro alvos e realizar operações de tiro contra dois deles simultâneamente. O Tigre ganhou grande capacidade de processamento eletrônico, o que permite o lançamento de bombas inteligentes guiadas por laser.
O jato atua de forma integrada com estações fixas ou embarcadas de comando, vigilância e inteligência. Embora a designação do F-5Br seja a solução lógica de curto prazo, o Comando da Aeronáutica terá uma questão de cultura interna para resolver. A base do 1.º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis, é considerada o núcleo de elite e excelência da força. Ali estão os esquadrões Jaguar, equipados com os supersônicos Mirage - os melhores de seu tempo. Há uma certa resistência de conceito à incorporação do Tigre para ocupar (ainda que temporáriamente) a sofisticada base da FAB que responde pela guarda do espaço sobre Brasília e região estratégica do Sudeste.
Outra possibilidade é a compra de caças usados que possam ter sua capacidade expandida por meio da atualização tecnológica. O Ministério da Defesa recebeu ofertas concretas do grupo americano Lockheed-Martin, envolvendo a versão A/B do F-16 Falcon. Há lotes dessas aeronaves disponíveis na Holanda, na Bélgica e nos Estados Unidos. Com o aval do governo revelado ao Estado há um mês, por meio de uma manifestação do adido militar no Brasil, coronel Antonio H. Rebelo, a corporação confirma a entrega de mísseis ar-ar de alcance além do horizonte e anti-radar. Garante ainda a transferência total da tecnologia dos sistemas que venham a ser especificados no programa de revitalização. Todas as operações seriam feitas no País.
Outra possibilidade, que teria o benefício de poder utilizar toda a logística já existente para atender aos velhos MirageIIE/Br, seria a compra de um certo número de aviões da geração seguinte - o Mirage 2000 - do mesmo tipo de caça. Vários países estão colocando a venda modelos das séries iniciais, produzidas nos anos 80.
Na nota divulgada pelo Comando da Aeronáutica para seus oficiais, a decisão de encerrar o a seleção FX é creditada "a dinâmica da evolução tecnológica". Isso significa que o governo pode optar pela compra de jatos de quinta geração. Os favoritos nesse caso seriam os poderosos Rafale, franceses, que chegariam ao Brasil por meio da parceria Embraer-Dassault. O preço inicial, de US$ 100 milhões, baixou depois de uma encomenda de 196 unidades feita pelo governo francês. Cada um sai agora por US$ 70 milhões.
Fonte: O Estado de São Paulo