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Caso de narcotráfico atinge Força Aérea Argentina

Enviado: Qua Fev 16, 2005 20:59
por Anonymous
Quarta, 16 de fevereiro de 2005, 19h44
Caso de narcotráfico atinge Força Aérea Argentina

O governo argentino ordenou uma intervenção na polícia encarregada do controle aeroportuário, em meio a acusações cruzadas da força aérea e da empresa Southern Winds (SW) pelo tráfico de 60 quilos de cocaína para a Espanha no compartimento de bagagens da empresa.
"De agora em diante haverá uma responsabilidade maior de controle por parte do Estado", afirmou hoje o ministro de Defesa, José Pampuro, que foi instruído pelo presidente Néstor Kirchner a realizar uma "ampla auditoria" interna sobre a atuação da Polícia Aeronáutica (PA).

O responsável pela polícia aeronáutica, o comodoro Horacio Giagischia, foi afastado hoje de seu cargo, apenas 24 horas depois de receber o apoio "total" do ministro de Defesa.

Giagischia havia admitido que a PA "só controla cerca de 30%" das bagagens despachadas pelas 28 linhas aéreas que operam no Aeroporto Internacional de Ezeiza, o principal do país. Segundo ele, o restante está a cargo de empresas privadas contratadas pelas próprias companhias aéreas, como no caso da SW.

O ministro Pampuro admitiu hoje que "algo falhou" nos procedimentos de segurança do aeroporto. "Veremos se as empresas privadas continuarão no sistema de controle", disse ele, ao prometer que o Estado retomará as tarefas de segurança com "maior responsabilidade".

O ministro coordenou uma inspeção no Ezeiza, da qual participaram efetivos da polícia e da central de inteligência do Estado (SIDE). "O sistema funciona bem", afirmou Pampuro, depois de concluir a inspeção, apesar de lamentar que os vídeos registrados pelas câmeras de segurança do aeroporto "sejam apagados a cada 35 dias".

O ministro afirmou que "há alguns anos havai uma iniciativa política intencionada", que, em meio ao encolhimento do Estado, fez com que "todos os sistemas de controle fossem desmantelados".

Dois diretores da SW foram presos e outro empregado, que é filho do chefe do aeroporto de Ezeiza, o comodoro Alberto Bertrame, permanece foragido. O caso está a cargo do juiz Carlos Liporace.

A investigação começou depois que autoridades espanholas encontraram, em setembro passado, no Aeroporto de Barajas, quatro malas procedentes de Buenos Aires, que haviam sido transportadas pela SW, e destinadas à embaixada argentina na Espanha, mas que não foram reclamadas por ninguém. Ao serem abertas, foram encontrados 60 kg de cocaína escondidos num fundo falso.

orta-voz da SW, Encarnación Ezcurra, ressaltou que o controle das bagagens "é responsabilidade" da polícia aeronáutica, apesar de ter admitido que empregados da empresa estão envolvidos no delito.

AFP