Disputa na aviação conquista passageiros
Hoje em Dia - MG - 10/04/2005
'Senhoras e senhores passageiros, atenção ao aviso de atar cintos. Em caso de despressurização da cabine, máscaras de ar cairão à sua frente... ' Com a guerra tarifária travada pelas principais companhias aéreas do país, um número crescente de consumidores que antes passavam longe dos aeroportos vem ouvindo pela primeira vaz as instruções da aeromoça sobre os procedimentos de segurança em caso de pane.
A batalha mais recente ganhou o apelido de Promoção Tiradentes, e os descontos para conquistar quem vai emendar o feriadão longe de casa chegam a 80%. Para os próximos meses, a expectativa é de acirramento nos embates com a chegada de um novo competidor ao mercado de vôos regulares: a BRA Transportes Aéreos, que pretende investir US$ 9 milhões em 2005 para adquirir novas aeronaves, aumentar sua malha e dobrar o número de passageiros transportados/dia, hoje cerca de 7.500, em média.
Atenta à guerra de tarifas, a técnica em patologia clínica Paula Lúcia de Carvalho Gomes, 23 anos, conta que fez sua primeira viagem aérea em 2003, depois de várias férias rodando centenas de quilômetros para chegar à praia, em Porto Seguro, na Bahia. 'Sem as promoções, eu não teria a menor condição de viajar de avião. Com a queda nos preços, a classe média baixa começou a ter chance voar, o que não acontecia antes', avalia a técnica que, deste então, também recorre às pesquisas na Internet quando quer aproveitar um feriado prolongado na praia. 'Considero sempre o preço e o horário do vôo', justifica Paula. O analista de sistemas Luciano da Silva Júnior, 39 anos, garante que não se importa com um serviço de bordo mais simples para pagar menos pela viagem. 'Por mim, se for para baixar o preço, podem diminuir o que quiserem, desde que não seja a segurança', brinca o analista.
Acostumado aos vôos a trabalho, Luciano conta que está planejando a primeira viagem aérea da família para outubro deste ano. O destino escolhido é São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde a mulher tem parentes. 'Vamos todo ano de carro e é muito cansativo, principalmente para as crianças. Para minha mulher e nossas duas filhas, vai ser a primeira viagem de avião', relata Luciano, adiantando que pretende conciliar os maiores descontos com as melhores condições de pagamento.
O contador e gestor de empresas Marcelo de Assis lembra que precisou recorrer a um parcelamento de dez vezes para levar, em janeiro deste ano, a mulher e as duas filhas de BH para Recife, onde ele passou seis meses a trabalho. 'Se não tivesse encontrado um preço mais acessível e um plano de parcelamento desses, eu não teria a menor chance de levá-las. São mais de 30 horas de ônibus. Seria sacrificado demais', justifica. O casal já havia feito uma viagem aérea em 2000, mas as filhas Ana Carolina, 20 anos, e Bruna, 13, tiveram que ficar de fora por questões orçamentárias.
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